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Fardos pesados

11/11/2012

Um dos convites que Cristo nos faz é não necessitarmos mais levar fardos (Mateus 11.28-30). Ele nos promete que aquele que o segue não terá peso algum sobre si. Esse é um bom meio de avaliarmos nossa fé. Se ainda levamos fardos sobre nós, nossa fé é vã. Pois estar em Cristo é justamente não levar fardos.

Se a vida fosse uma fábrica, os fariseus trabalhariam na expedição. Eles, como ninguém, sabiam colocar fardos pesados nos ombros alheios. Jesus os critica por isso, pois a fé em Jesus é leve, torna-nos livres.

Hoje, ainda temos fardos sendo postos sobre as pessoas.

1) O fardo fatalista do predestinacionismo:

Este é um fardo difícil de ser identificado. Alguns dizem não ser relevante identificá-lo e que você pode ser discípulo de Jesus mesmo que o esteja levando. Embora não seja isso o que o próprio Jesus tenha dito:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve (Mateus 11.28-30; grifo acrescido);

e:

Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me (Lucas 9.23).

Só há uma “carga” a ser levada pelo cristão – o vitupério de Cristo, a identificação com Jesus que nos faz ser odiados pelo mesmo mundo (sistema espiritual) que o odiou até a morte.

Acrescentar o jugo fatalista sobre si é levar um peso de que você já foi liberto.

Quando distorcemos os eventos da salvação e da carreira cristã, estamos fazendo algo da mais alta gravidade. Não é inofensivo afirmar, por exemplo, que Cristo morreu por apenas alguns (como os fatalistas afirmam) ou que tudo é predeterminado por Deus e que somos apenas marionetes cósmicas de um deus manipulador. E isso por uma simples razão: esse deus fatalista não é o Deus da Escritura. Assim como Alá não é Jeová, o deus predestinacionista não é o Deus amoroso da Bíblia; e, como os que seguem Alá estão em direção diferente à que leva ao céu, os seguidores do deus fatalista andam em um percurso diferente de Cristo e encerram caminho diferente do céu.

Pedro nos adverte de que não é de somenos distorcermos eventos tão sérios quanto os que nos conduzem à salvação:

Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por serdes achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis, e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles. Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais da vossa própria firmeza; antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno (2Pedro 3.14-18; grifo acrescido).

Você realmente crê que Deus estava apenas “brincando” quando inspirou João a registrar em Apocalipse:

Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro (Apocalipse 22.18-19)?.

O predestinacionismo cria caos e desespero, Cristo traz paz e liberdade. Este, claramente, afirma a liberdade de escolha do homem em textos como:

Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me (Lucas 9.23; grifo acrescido);

Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo (Apocalipse 3.20, grifo acrescido);

Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis (Atos 7.51; grifo acrescido);

Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! (Mateus 23.37; grifo acrescido).

E tantos outros textos em toda a Bíblia.

2) O fardo moralista-religioso:

Este é um já antigo conhecido. Todos sempre sabem apontá-lo, e não tem dificuldade em identificá-lo. Às vezes, até se excedem e o enxergam onde ele, na verdade, não está.

Este fardo afirma que normas religiosas e de conduta nos conduzem à salvação. Quando, na verdade, é o oposto. Não investiremos tempo em dissecá-lo. Apenas citaremos o exemplo farisaico de fardo moralista-religioso e relembraremos que este jugo pesado e desnecessário está representado pelo sistema religioso-político (tanto daqueles dias quanto dos nossos):

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando! Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque devorais as casas das viúvas e, para o justificar, fazeis longas orações; por isso, sofrereis juízo muito mais severo! Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós! (…) Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo! Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança! Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo! Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade. Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno? (Mateus 23.13-15,24-28).

 

3) Fardo do pecado:

O mais pesado de todos os fardos presente em todos os outros fardos, pois aqueles que o levam ainda não estão livres deste. Refere-se ao peso dos pecados comprimindo nossa alma, trazendo angústia e desespero.

Vemos tal evento no Getsêmani, quando Jesus mesmo sendo sem pecado tomou sobre si os pecados da humanidade e sentiu aquilo que o pecador sente (tristeza, dor, solidão, angústia, vazio interior), embora permanecesse santo e ligado a Deus, como parte inexorável da Trindade:

Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar; e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo (Mateus 26.36-38; grifo acrescido);

e:

Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora (João 12.27).

Este fardo não é aliviado por outros, como moralismo, pseudobondade caritativa, religiosidade, ritualismo. Ele persiste trazendo cansaço à alma, até que o sangue de Cristo o lance fora, no mar do esquecimento:

Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniqüidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar (Miquéias 7.18-19);

e:

Eis que foi para minha paz que tive eu grande amargura; tu, porém, amaste a minha alma e a livraste da cova da corrupção, porque lançaste para trás de ti todos os meus pecados (Isaías 38.17).

A gravidade de levar fardos desnecessários é que, enquanto estivermos presos a qualquer fardo, jamais poderemos viver a salvação que há em Cristo.

Não há meio-termo!

 

Gile

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