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Como dias ensolarados

Sunny day in window

E lá se foi outro dia! Nem deu tempo de fazer tudo o que eu gostaria. Faz tanto tempo que não vejo um dia de sol tão lindo! Nem uma única nuvem no céu houve hoje, uau!

Eu amo dias de sol. Eles me fazem sentir tão bem. Dão uma sensação de alegria, de liberdade! Você se sente tão livre num brilhante dia de sol, mais do que em qualquer outro tempo. É engraçado pensar que o tempo possa fazer você se sentir livre, mas ele faz! Um dia de sol vale mais do que mil tristes, sombrios e carrancudos dias de nuvens cinzentas. Sabe aquela sensação maravilhosa de olhar através da janela pela manhã e descobrir que há um lindo dia de sol lá fora? É como saber que o dia será bom!

Também fico boquiaberto com o pôr-do-sol. O pôr-se que já vi um milhão de vezes desde que eu era criança, mas que, ainda hoje, não importa onde eu estiver, me deixa estupefato. Isso me faz pensar em algo grandioso – o pôr-do-sol é sempre lindo em qualquer lugar que se esteja.

A vida não deixa de ser como um dia – que pode ser de sol ou não – e que será encerrada, como faz o pôr-do-sol com o dia. Não importa quem seja o indivíduo. Não importa quantas forem suas posses, sua fama ou onde se esteja. A morte também é uma realidade para as pessoas que vivem em Los Angeles e Tóquio tanto quanto o é para os que vivem em San Juan. O pôr-do-sol não é assim? Ele existe para todos nós, onde quer que estejamos e sendo quem quer que sejamos. Um mendigo nas ruas de Nairobi (Quênia) pode desfrutá-lo tanto quanto um enriquecido habitante de Upper East Side (Nova York).

Dias de sol não são bons apenas para se fazer analogias. Eles são bons em si mesmos. Eles, geralmente, me fazem ficar mais sóbrio e refletir sobre coisas que eu não consigo ver quando não há tanta claridade lá fora. Eles trazem tanta luz que nos fazem refletir.

Todo livre e radiante dia de sol termina com um espetacular pôr-do-sol. Que show fantástico. Um espetáculo extraordinário, com direito a grand finale! Isso me faz pensar sobre o que me aguarda. Você já se perguntou como será do outro lado do pôr-do-sol? Já tentou imaginar se lá é tão bonito quanto aqui?

Já passou por sua mente a idéia de que, um dia, as coisas que você é e tem aqui não terá e será mais. Que idéia estranha, não é mesmo? Estamos tão apegados a “este lado do pôr-do-sol” que nem conseguimos imaginar o existir de outro ponto de vista.

Jesus referiu-se a si mesmo como “a luz do mundo”, e nos ensinou que devemos trabalhar “enquanto é dia; [pois] a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” – “É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo” (João 9.4-5).

Você já pensou se alguém fosse a luz que dá vida a este dia? Bom, Jesus nos diz que Ele é! E nos avisa: a noite vem, portanto é melhor você aproveitar para fazer as obras do Pai enquanto a luz do dia ainda brilha!

Sim, Ele é a luz – não apenas uma luz. Ele nos diz coisas ainda mais inquietantes como:

De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida (João 8.12).

Ele não apenas é a luz do mundo, como sem Ele estaremos em trevas!

E Ele continua a nos emitir mais alguns raios de revelação divina em João 3.16-21:

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras.  Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus.

Primeiro Ele nos diz: eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará em trevas. Depois, Ele explica: quem anda em trevas faz isso porque prefere esconder-se na escuridão, e se esconde porque suas obras são más! Mas, se você voltar ao que Ele disse anteriormente, descobrirá que pode andar na luz e nunca mais estar em trevas.

Não é um privilégio para poucos. É uma possibilidade para qualquer um. Tão acessível quanto o pôr-do-sol o é.

A verdade, portanto, é que outros dias de sol virão. Outro lugar nos espera. Se ele será cinzento ou brilhante, dependerá de sua decisão neste lindo dia de sol! Tome sua decisão, agora!

 

Gile

O amor nunca falha

 

Tenho estado preocupado com minha coluna. Tenho dores freqüentes nas costas devido ao peso de minha mochila. Como moro perto do trabalho, vou a pé todos os dias. Mas, como vou a pé, preciso levar comigo algumas coisas – um guarda-chuva, uma lanterna (moro num dos últimos andares do prédio!) entre outras coisas.

Tudo isso pesa, cada uma dessas coisas pesa. Ando até encurvado quando coloco minha mochila. É incômodo para mim, e eu só tenho que andar um quilômetro assim. Mas algumas pessoas VIVEM desse jeito – encurvadas, com um enorme peso nas costas. O peso da culpa. Nunca se esqueça: nada é mais esmagador do que o peso da culpa.

É isto que a culpa faz: te coloca lá embaixo, e descendo cada vez mais. A vergonha envolvida na culpa faz de você um fugitivo. “Não quero ver ninguém”, dizemos. Quando na verdade, pensamos: “não quero que ninguém me veja, não quero que ninguém saiba de meus erros, de minha culpa”.

A culpa é um cão de guarda, salivando e latindo junto à porta de nossos corações; expulsa qualquer um que tentar se aproximar. “Não se junte a mim”, pensamos, “sou um infrator”.

Seguindo esse misto de vergonha e culpa, alguns até imaginam Deus sentado em seu trono, nos céus, empunhando um enorme martelo com o qual nos condenará. Então, fugimos dele, corremos da Sua presença para o mais longe que conseguimos. Não queremos ser condenados pelo Juiz celeste.

Mas não pense que você está sozinho nessa concepção de Deus, estamos fugindo em massa! Em nosso cotidiano conjugamos muito bem o ver fugir: eu fujo, tu foges, ele foge, nós fugimos, vós fugis, eles fogem!

Mas essa fuga é absolutamente desnecessária. Nossa vergonha nos impede de ver corretamente a Deus, de saber quem Ele é e o que pensa a nosso respeito.

Deus não é um juiz carrancudo. Quer saber com o que Ele se parece?

Um dos apóstolos – Filipe – também queria saber:

Replicou-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta (João 14.8).

Ao que tudo indica, Filipe sofria de uma grave miopia! O versículo seguinte revela isso:

Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tens conhecido? Quem me vê a mim vê o Pai; como dizes tu: Mostra-nos o Pai? (João 14.9)

Jesus é a perfeita imagem do Pai.

Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação (Colossenses 1.13-15; grifo acrescido).

João também nos dá uma breve descrição de Deus, tão breve que até nos esquecemos dela!

Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor (1João 4.8; grifo acrescido).

Não perca de vista a breve descrição que João faz de Deus: Deus é amor.

É como se João nos estivesse dizendo, “se eu tivesse que descrever Deus com uma única palavra, usaria apenas 4 letras: A-M-O-R”.

João não diz que Deus tem amor, ele nos afirma claramente que Deus é amor. Ele também não afirma que Deus é apenas amor. Ele é muito mais do que isso. Mas todo o amor está nEle. Ninguém que tem a Deus, não tem amor, se Deus é amor. E é precisamente por isso que João afirma que “aquele que não ama não conhece a Deus”.

Jesus também nos descreve a si mesmo:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve (Mateus 11.28-30).

Poucas pessoas são perspicazes o suficiente para perceber que Jesus, além de fazer o melhor convite do mundo, está também descrevendo a si mesmo.

Assim, se nada é mais esmagador do que o peso da culpa; devemos também nos lembrar que nada é mais leve do que o fardo de Jesus.

Lembre-se, meu amigo com amnésia espiritual, Deus é amor!

Preocupado com o que Ele pensa de você? Acha que Ele está mais preocupado em condená-lo do que ajudá-lo? Então, você precisa rever seus conceitos sobre Deus. Se Deus é amor, então Paulo estava mais do que simplesmente pormenorizando o amor em 1Coríntios 13, Ele estava descrevendo o caráter de Deus!:

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha (1Coríntios 13.4-8).

Vou repetir em inglês: the love never fails! Preciso repetir isso, caro culpado constrangido, O AMOR NUNCA FALHA! N-U-N-C-A! Você já falhou? Pode apostar que sim! E quanto ao Deus que é amor? Ouça o que o próprio Deus tem a dizer: o amor (Deus é amor, lembra?) nunca falha!

E um Deus que é amor perdoaria você? Volte ao Calvário, veja o sangue escorrendo pelo corpo torturado de Cristo, o cuspe em sua face, as vaias e o escárnio da multidão; e encontre a resposta. Não entendeu? Então responda a esta pergunta: por que Ele teve de morrer, por que Ele escolheu morrer?

Para que você fosse inocentado, perdoado! Ele pagou o preço dos seus pecados. A culpa que Ele levou, era sua! O sangue que escorre em seu corpo era para ser o seu. As vais e a zombaria que Ele suportou eram para ser sobre você. Mas Ele suportou por você.

Achou que Ele te abandonaria na noite fria e escura? Achou que Ele bateria o martelo e te empurraria naquela cela fria e fétida? Não, o amor não faria isso; não sem antes dar a você uma escolha. Lembra o que o amor é? O amor nunca falha.

NUNCA!

E se você ainda não conseguiu fazer a conexão, vou fazê-la para você: Deus é amor, o amor que nunca falha! Persistente, paciente, eterno e perfeito. O próprio Deus fez-se carne e viveu a vida que você deveria viver – perfeita e sem pecado – para morrer a morte que era sua – a condenação de um pecador.

Ele estende Sua mão perfurada pelos cravos, oferecendo a você uma chance de recomeçar. Ele, e só Ele, pode dar a você uma nova vida, livre da culpa. A questão é: você quer esta nova vida? Antes, você estava perdido. Preso a sua culpa. Agora, Ele dá a você uma escolha.

Isso é algo que o amor faria, o amor que NUNCA FALHA.

 

Gile

Um guia fiel


 

No início deste novo século, nosso pequeno planeta já conta sete bilhões de pessoas. Um número impressionante, sobretudo porque jamais antes na história da humanidade esse número havia sido alcançado. Mas agora o alcançamos.

Contudo, há um fato triste a respeito desta multidão – a maior parte dela vive de modo diferente do que seu Criador planejou para ela. Vivendo de modo racional ou emocional faz da mente humana finita ou das enganosas emoções humanas suas conselheiras e juízas da verdade. Um caminho, certamente, escorregadio que conduz a um fim desagradável.

Há, no entanto, três formas de se conduzir nesta vida: pela emoção, razão ou de forma espiritual.

A primeira forma é guiar-se pela intuição cordial, deixar que o coração nos diga quais decisões tomar. Isso é perigoso e a Escritura nos alerta acerca dos efeitos danosos de deixar-se orientar por um guia corrupto:

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá? Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto das suas ações (Jeremias 17.9-10).

Veja que a Bíblia não descreve o coração como algo fracamente perigoso mas como “enganoso (…) mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto”. Na sequência, Jeremias questiona – “quem o conhecerá?” – isto é, quem é mais sábio do que ele a ponto de não ser enganado por ele?

O Espírito Santo revela a Jeremias a resposta a este enigma:

Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, segundo o fruto de suas ações.

Em paráfrase: você pode se enganar com este perigoso conselheiro que habita em seu interior, mas Eu não; eu sou o SENHOR e conheço e julgo não conforme a orientação enganosa de um coração humano corrupto e caído, mas segundo a santa e reta justiça que tenho!

Deus não é afetado pelo pecado como nós, Ele é santo! E, além disso, é imutável; o que significa que seus atributos jamais mudam. Doutra forma, Ele sempre será santo como O é agora!

A forma de vida guiada pelo coração se caracteriza principalmente (mas não exclusivamente!) pelas decisões súbitas, a imprevisibilidade de conduta torna-se, portanto, algo constante. Não há reflexão sobre o caminho a se tomar, não há oração ou leitura bíblia suficiente para conduzir as pessoas. As que assim se conduzem são geralmente suscetíveis ao engodo comum jazente no mundo. São presas fáceis de seus próprios sentimentos; e não há pior prisão do que aquela a que o próprio coração nos submete.

A decisão de momento caracteriza a forma de vida emocional.

Outra forma de se conduzir neste mundo é a racional – aquela que submete suas decisões ao processamento de suas ideias. Desta forma, somente toma decisões baseado no material ou naquilo que pode ser processado por sua mente limitada. Tudo o que se encontra além de seu escopo mental, não pode ser decidido por ele; privando-se, desta forma, de decisões maiores e melhores que só podem ser tomadas de uma perspectiva espiritual.

A maior parte das pessoas que toma decisões desta forma não o faz assim o tempo todo, mas tende a fazê-lo alternando o método emocional e o racional.

É – acima de tudo – carnal; pois, seja a razão humana ou seus próprios sentimentos, está sempre baseando suas escolhas no plano carnal. É, pois, uma forma de humanismo e uma perigosa jornada de más decisões sucessivas que conduzem – por conseguinte – à destruição.

O racional tende a excluir algo superior de suas escolhas, como se sua mente fosse o objeto mais elevado do universo. A Escritura nos mostra que essa ideia está absolutamente equivocada, pois Deus é o mais elevado de tudo o que há. Ele é que possui o incomunicável atributo da onisciência. A mente humana, em contrapartida, é finita e frequentemente falha:

O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do SENHOR (Provérbios 16.1);

Muitos propósitos há no coração do homem, mas o desígnio do SENHOR permanecerá (Provérbios 19.21).

A Bíblia, assim, sepulta toda a ideia, reinante no imaginário humano, de que a mente humana seja capaz de guia-lo à verdade ou à decisão correta.

Ademais, a mente humana tende a ser influenciada por seus próprios sentimentos e vice-versa, conduzindo a uma intrincada relação de sentimento e pensamento que mutuamente se enganam e conduzem a equivocadas decisões.

A terceira forma de tomada de decisões é a espiritual. Aquela que submete suas decisões à vontade de Deus, confessando ser Esta melhor.

O que assim o faz entende que Deus é superior, que Ele como Onisciente, Onipresente e Onipotente não falha nem conduz seus filhos ao erro. Ela, portanto, também se baseia na bondade e amor divinos e na característica confiável de Deus, isto é, Sua imutabilidade.

Deste forma, Deus é bom e não muda – logo, podemos confiar em Sua direção!

Os meus olhos se elevam continuamente ao SENHOR, pois ele me tirará os pés do laço (Salmos 25.15);

Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos (Salmos 119.105).

Há duas características nesses versos: o salmista reconhece sua falibilidade ao mesmo tempo em que confia em Deus e Sua infinita sabedoria e amor para guiá-lo a um melhor lugar.

Ao contrário do que o racional faz – crer que ele mesmo é o ser supremo do universo -, o espiritual confessa sua limitada capacidade de julgamento e confia em Deus para guia-lo à decisão correta.

Esta forma de julgamento caracteriza todos os santos de todas as épocas e está registrada na Escritura de Gênesis ao Apocalipse.

Fizeram assim Abraão, que deixou sua terra natal para um lugar que nem ele ainda sabia qual seria; Moisés, que preferiu sofrer com o povo de Deus no Egito e entregou-se à direção divina no deserto até chegar a Canaã; Paulo em todas as suas viagens missionárias; Pedro em suas visões e ministério; João, até seu martírio na ilha de Patmos; Noé, que obedientemente construiu uma arca no deserto! E tantos outros que de tantos não se poderiam nomear neste singelo texto.

De forma clara, podemos observar que assim se conduziram todos os que estiveram aos pés do Senhor. Assim o ensina a Escritura Sagrada e assim alcançamos superior prêmio – que é Cristo, nosso grande galardão!

E que você, caríssimo leitor, assim o faça a fim de chegar – decisão após decisão – a um lugar melhor: a eterna presença de Deus para sempre!

Amém!

 

Gile

Todos precisam…

In tribulation

Nublado, cinzento, triste. Assim tem sido seu dia, sua vida. E é tão difícil quando não se tem alguém para ajudar, alguém para nos guiar na noite escura. Os dias, semanas, meses e anos passam como segundos. A vida toda passa numa silenciosa e interminável dor. Um vale infinito de solidão. Não há nada ao seu lado. Você olha ao redor e simplesmente não há ninguém, ninguém que possa ajudá-lo, ninguém que saiba como. Então você corre rumo ao desconhecido em busca de esperança, mas nunca a encontra e segue frustrado com um sentimento de que a vida não vale nada.

Será que existe algo pelo que viver? Será que alguém neste grande e confuso mundo tem a resposta? Há alguém que possa nos conduzir até ela, a esperança?

E então outro dia se vai, levando consigo nossa vida. Toda nossa existência vai se esvaindo como as gotas da chuva através do céu cinzento.

Gritos de desespero de uma alma cansada; cansada do dia, da vida, da falta de sentido, da tristeza em seu interior, do eterno vazio que nos corrói por dentro. Insuportável é existir assim.

Em algum momento, entre a dor interminável e o ódio por existir, você pode ouvir uma brisa: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28). Nessas horas, você pode vir a Ele. A voz daquele que alivia. A voz do que traz a cura.

“Eu sou o pão da vida” (João 6.48), alimente a sua alma, Nele! “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos” (João 6.53). Mergulhe fundo neste oceano profundo de esperança. Beba intensamente cada gota de vida que há Nele!

Ele promete recebê-lo (João 6.37), Ele promete levá-lo a um lugar onde sua dor não possa ir (João 14.1-3; Apocalipse 7.17).

É simples, é instantâneo, incrivelmente gratuito e profundo! Apenas peça a Ele. Talvez você esteja pensando consigo: eu não sei como! Apenas diga! Fale o que você está sentindo e peça aquilo de que você precisa.

Tenha a certeza de que Aquele que sabe todas as coisas compreenderá você!

 

Gile

Uma visão ampla

Temos muitas “necessidades” nos dias de hoje. Isso é fruto do sistema em que vivemos. O consumismo é uníssono ao eu em nosso interior e nos empurra na direção da satisfação exterior – o que resulta em mais carros, mais casas, mais joias, mais cirurgias estéticas, mais rodas sociais, mais novos prestigiosos títulos…

Ao refletir sobre essa situação, faço minhas as palavras de Hank Hanegraaff:

A escolha é sua. Você pode engolir a insensatez dos pregadores da Fé sobre o seu direito de derramar-se na auto-indulgência ou firmar seu coração sobre a satisfação mais profunda que vem do uso generoso de seus recursos para fomentar o Evangelho e melhorar a sorte daqueles que vivem ao seu redor. Você pode viver responsavelmente como mordomo de Deus (…). É a sua declaração bancária no céu que conta. Se sua esperança estiver no depósito bancário que possui aqui, você está perdido e falido, não importa quantos dígitos haja na sua conta, ladeando seu pomposo nome[1].

Este, contudo, não é o pensamento da maioria das pessoas declaradas cristãs. Além de não observarem o que a Escritura ensina sobre esse tema, baseiam suas concepções em nada mais que seu desejo interior, seu próprio coração é o arbítrio da verdade – o que a Palavra chama de enganoso mais do que todas as coisas e desesperadamente corrupto (Jeremias 17.9).

Guiar-se pela “intuição cordial” é realmente algo perigoso!

A falta de juízo crítico bíblico tem tornado muitas pessoas presas fácies de líderes pouco sérios. A ingênua ideia de que, “se ele é um líder religioso, então ele é uma pessoa sincera”; tem lançado milhões de pessoas na escuridão da venda religiosa.

Como ocorreu no passado, a instituição tem criado suas próprias verdades, aquém do que a Palavra ensina – já vimos isso acontecer antes, houve até um certo monge alemão que se levantou contra tais práticas, e os que se dizem hoje seguidores das posições dele, agora, repetem o mesmo erro que o tal monge combateu! (Que ironia, não é mesmo?).

Doutro modo, a Bíblia nos dá as coordenadas para sairmos deste vale de treva espiritual:

Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (1João 4.1; grifo acrescido);

e:

E logo, durante a noite, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia; ali chegados, dirigiram-se à sinagoga dos judeus. Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim. Com isso, muitos deles creram, mulheres gregas de alta posição e não poucos homens (Atos 17.10-12; grifo acrescido).

Provar os espíritos – isto é, verificar qual espírito está guiando o ensinador – antes de dar crédito a quem quer que seja e examinar se aquele ensino está de acordo com o da Escritura são algumas das recomendações da Bíblia para não sermos enganados. Será que temos ouvido os conselhos de Deus? Temos feito este exercício espiritual em busca da verdade?

Veja que, de forma alguma, a Palavra de Deus nos orienta a sairmos dando crédito a qualquer pessoa baseados apenas nas credenciais daquele que ensina. Títulos pastorais, história de vida, benfeitorias sociais ou religiosas, não são – de forma alguma – suficientes para validar o ensino de quem quer que seja. APENAS a Bíblia é suficiente para concluir se aquela pregação é verdadeira ou não.

Esse ensino está inserido em outro grande tema – o tema do compromisso, com quem nos comprometemos. Muitos são os que confundem isso. Se estivéssemos comprometidos com o Reino de Deus e não com instituições religiosas, não precisaríamos ensinar que toda pregação deve ser biblicamente validade antes de darmos crédito a ela. Mas, porque muitos de nós confundiram a quem devem ser fiéis, temos esse ensino a ser asseverado.

Em momento algum a Bíblia nos ensina a darmos nossa total fidelidade a instituições religiosas. Denominações não devem ser consideradas infalíveis nem dignas de total e cega confiança, sempre as devemos provar pelo crivo bíblico. Nosso compromisso ao nos convertermos a Cristo é com Aquele que nos salvou. Afinal, foi Ele quem nos salvou, a Ele – pois – devemos nossa fidelidade, pois instituição humana alguma pode salvar.

Nossa fidelidade e trabalho devem ser tributados a Deus e ao Seu Reino. Se assim o fizéssemos teríamos a maioria dos problemas religiosos da atualidade – dentro da cristandade – resolvidos instantaneamente.

Vemos discussões religiosas sobre qual o melhor líder, sobre a banda que toca melhor, sobre qual é o melhor cantor (artista) gospel. Shows e palestras (palestras, não pregações!) para entreter. Institucionalismo religioso, pura perda de tempo, amigo!

Não há denominação melhor ou pior, há apenas as pessoas que estão e as que não estão no Reino de Deus – muitas vezes dividindo o mesmo teto dentro da mesma construção de alvenaria, sede de uma instituição religiosa. A isto devemos nos atentar, pessoas!

Ser membro de uma instituição religiosa não o torna, instantaneamente, cristão. Ser discípulo de Cristo não é uma questão institucional, é uma questão espiritual, uma decisão pessoal e perseverante de seguir a Jesus em uma vida completamente nova e de conformidade com o Evangelho.

A biblicidade da forma como o doutor Josué Yrion aborda esse tema é admirável:

Quando você está envolvido dentro de seu próprio concílio, denominação – o que você crê, sua doutrina – Deus não está limitado ao que você crê! Deus não vive pelos regulamentos de seu concílio, de sua igreja. A Deus não interessa os regulamentos de seu concílio, de sua denominação. Deus não está sob a sua autoridade. Você tem que entender que Deus é muito maior do que qualquer concílio ou denominação. Nós é que temos colocado nossas regras, nós é que temos imposto nossos estatutos. E a Deus não interessa seus estatutos. (…) Estatutos e o que o homem prega, tudo bem – para a administração e a ordem. Contudo, para Deus, isso não tem nenhum valor, porque isso não é bíblico. Isso são regras de homens para estabelecer a organização e a ordem. Você pode ter toda uma ordem em sua organização, porém – se você não tem um departamento missionário em sua igreja, não treina missionários e não envia missionários – você não tem razão de existir, dentro do contexto bíblico da Igreja do Novo Testamento. (…) Se seus estatutos e suas regras vão de encontro à Palavra de Deus – e não me interessa a tradição que você tenha, você pode ter 100 ou 200 anos de concílio – se está fora da vontade de Deus, você tem que mudar! Você tem que por a Deus… Mateus 15 diz claramente, que aos escribas e fariseus Jesus disse: ‘anulais a Palavra de Deus por vossas tradições’. Você não pode limitar a Deus e colocar Deus dentro de uma caixa de sapato. Deus não é, não pertence, não é membro de sua denominação! Deus não tem a carteirinha de membro de sua igreja, de seu concílio! Deus é ilimitado. A Igreja é mundial, está em todos os continentes! (…) Eu sou ministro e membro das Assembleias de Deus dos Estados Unidos; Deus não é membro do Conselho Geral das Assembleias de Deus dos Estados Unidos. Ele não tem sua carteirinha de ministro como eu tenho, ministro ordenado das Assembleias de Deus. Deus não é batista, não é nazareno [i.e., membro da Igreja do Nazareno], não é de nenhuma denominação. Ele é Deus! Ele é senhor, é senhor sobre você, sobre sua doutrina, é senhor sobre seu concílio, é senhor sobre o que você crê![2].

Muitas pessoas estão dispostas a defender suas denominações e concílios, mas não se movem um centímetro sequer em prol do Reino de Deus. É possível defender uma denominação religiosa sem estar – concomitantemente – defendendo o Reino de Deus? (muitos questionam). Indubitavelmente, sim! E é exatamente o que está ocorrendo atualmente.

Precisamos alargar nossa visão. Necessitamos de uma visão de Reino em contrapartida à nossa atual visão de denominação (ou instituição religiosa ou igreja – com “i” minúsculo!).

Somente uma visão de Reino nos salvará da tempestade institucional (do salve-se-quem-puder de novas igrejas e divisões institucionais) que bate com violência no convés de nossas embarcações.

Se temos a pretensão de não naufragar na fé, devemos mudar – radical e rapidamente – nossa visão: de denominacional em espiritual, nos esforçando exclusivamente pelo Reino de Deus. Algo pelo que vale a pena trabalhar!

O conselho de Deus é que:

Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão (1Coríntios 15.58; grifo acrescido).

Trabalhar para instituições e interesses humanos é um trabalho em vão; somente em Deus nosso trabalho não é vão!

 

Gile


[1] HANEGRAAFF, Hank. Cristianismo em crise. 4. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. p. 250-251.

[2] YRION, Josué. Seminario de Evangelismo con Josue Yrion. Santiago: Catedral Evangélica de Chile, 2012.

Dia de sol

Fotografado por Mike Morby

Não sei quanto a você, mas eu adoro dias de sol. O céu azul, as cores vivas da natureza, as pessoas na rua, crianças brincando, a vida acontecendo aqui fora.

Um típico dia de sol!

Há um gritante contraste entre os dias cinzentos de chuva e os que nascem sob o azul limpo do céu ensolarado. Um dia chuvoso é introspectivo, um tanto triste e vazio. Um dia de sol é extrospectivo, alegre e convidativo às atividades ao ar livre – livre, o termo que melhor descreve um dia de sol!

Talvez, o apóstolo dos gentios tivesse isso em mente quando nos comparou às estrelas brilhantes do céu:

Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo, preservando a palavra da vida, para que, no Dia de Cristo, eu me glorie de que não corri em vão, nem me esforcei inutilmente (Filipenses 2.14-16; grifo acrescido).

Devemos ser como as brilhantes, alegres e constantes estrelas que iluminam a noite escura. E como o sol, nossa mais próxima estrela, devemos trazer luz à noite escura e levar todos para fora, em um feliz dia de sol.

Uma árdua missão. Uma tarefa simplesmente necessária.

Contudo, na Escritura, a luz faz mais do que alegrar:

Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem arguidas as suas obras (João 3.20).

A Nova Tradução na Linguagem de Hoje é ainda mais direta:

Pois todos os que fazem o mal odeiam a luz e fogem dela, para que ninguém veja as coisas más que eles fazem.

A luz revela a verdade por traz daquilo que fazemos, e ainda mais, ela revela o que realmente fazemos e quem realmente somos. O pior de nós, oculto na escuridão sombria da noite, é revelado pela fulgurante luz do dia. Por isso os homens não apenas fogem da luz como também a odeiam!

Mas, afinal, o que ou quem é a luz? A resposta é encontrada 3 versículos acima:

Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem nele crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más (João 3.17-19; grifo acrescido).

Você consegue enxergar o paralelo entre Deus enviou o seu Filho ao mundo e a luz veio ao mundo? O texto claramente se refere a Jesus.

Não ficou convencido? Talvez um texto mais direto o convença:

De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida (João 8.12; grifo acrescido).

Agora, creio não haver dúvidas quanto ao fato de ser Jesus a luz. E, enquanto Ele afirma ser a luz, nós ficamos felizes. O problema é quando Ele afirma algo ainda mais profundo:

Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo (João 9.5).

Enquanto? O que Ele quer dizer com esta expressão que indica temporalidade? Ele pretende partir?

Sim! Ele, aliás, já partiu. Mas deixou alguém e algo em seu lugar.

Um algo, uma tarefa a ser completada (Mateus 5.13-16; Marcos 16.15-20); e Um alguém, uma pessoa igualmente divina para nos ajudar nessa tarefa (João 16.4-15).

Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo do alqueire, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa. Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus (Mateus 5.14-16).

Não gosto quando Jesus diz coisas assim!

E, se você entendesse a responsabilidade e a dificuldade envolvidas em tal trabalho, também não gostaria!

Vós sois, Ele diz. Não estais, mas sois! A abissal distância entre os verbos ser e estar nos empurra na direção da responsabilidade desta missão.

O verbo “ser” vem do latim sedeo que significa “estar sentado”. Algo que permanece, uma característica constante ou permanente.

Já o verbo “estar” vem do latim sto ou stare, que transmite a ideia de “estar de pé”. Algo que se encontra num dado momento, variável no tempo e no espaço, não estático, um estado ou instância.

Percebeu a diferença?

É exatamente como o sol e a terra. O sol não está na função de luminar terrestre, ele é o luminar terrestre. Caso ele se apague, ficaremos na escuridão, não podemos acender outra luz, porque não há outra luz, a única luz é o sol. O sol é a luz da terra.

Jesus disse o mesmo a respeito de nossa função – vós sois a luz do mundo. Uma luz condicional: “De novo, lhes falava Jesus, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida” (João 8.12).  A condição para ser luz é seguir a Jesus (quem me segue, disse Ele).

Você o segue não apenas por si mesmo, mas para o bem de todos ao seu redor, todos quantos estiverem em seu “raio de iluminação”! Você é a lâmpada do recinto, por gentileza, não se apague! Não apague a vida de Deus que há em você, e que se chama Espírito Santo! Todos nós que vivemos ao seu redor necessitamos da luz e do calor dela.

Possivelmente, pensando nisso foi que o apóstolo escreveu “Não apagueis o Espírito” (1Tessalonicenses 5.19).

Jesus foi ao céu, mas Sua luz permanece em nossas vidas. Ele nos transmitiu a missão de iluminar o mundo com a luz da verdade, que condena o pecado e traz arrependimento para salvação de todos os homens.

Ouça a voz de Deus através das páginas sagradas: não apague a luz, apenas a deixe brilhar enquanto aproveita este dia de sol, e todos nós seremos por Ele iluminados!

 

Gile

Do que precisamos

A cena é um tanto quanto comum, nem por isso deixa de ser desconcertante: o garoto sentado no banco do ônibus escolar maneja um celular de última geração enquanto um senhor de meia idade pára no semáforo, ao lado do ônibus, de dentro do ônibus pode-se ouvir o ronco do possante esportivo, um extraordinário V6!

Minha pergunta, caro amigo, é se realmente precisamos dessas coisas. Porque tanto o condutor do esportivo quanto o garoto dono do celular sentem-se sozinhos a maior parte do tempo, mesmo quando cercados de pessoas. Vivem isolados em seus próprios universos. Há um vazio dentro deles. Não é que eles precisem dessas parafernálias é que elas são uma tentativa inútil de aliviar o sofrimento interior da solidão que os consome. É um tipo diferente (e grave) de solidão, um que não tem cura neste mundo. Felizmente, este não é o único lugar que existe. Ao redor dele, invisível mas totalmente real, há um mundo espiritual, onde podemos encontrar as respostas para nossas perguntas.

A questão do vazio e cansaço não-físicos não é nova. A prova disso é que um certo carpinteiro de um vilarejo ao extremo norte de Jerusalém, há cerca de 2000 anos, já nos falava sobre tal evento, e mais do que isso – já nos propunha uma solução, A Solução:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve (Mateus 11.28-30).

O convite do rabi nazareno é simples: você é que deve ir a Ele porque Ele já veio até você, desde os altos céus, fazendo-se carne (“vinde a mim”, Ele convida); os que devem vir a Ele são os “cansados e sobrecarregados”; Ele promete alívio; Ele nos recomenda trocarmos nosso próprio jugo (isto é, nossa independência e auto-suficiência) pelo Dele (Seu governo sobre nós, Ele promete nos dar direção); Ele diz que devemos ser como Ele é, manso e humilde de coração; Ele nos garante que tudo isso resultará em descanso para nossa alma.

Você não gostaria de encontrar paz em meio ao seu dia caótico? Veja, não estou falando sobre trocar seu mundo por outro, estou falando de resolver seu problema real e interior de modo que você possa encontrar o que realmente necessita, a fim de estar satisfeito!

Não precisamos de riquezas, fama e prazer efêmeros. Por melhor que sejam, não deveríamos depender de relacionamentos, família, realização profissional ou qualquer meio de realização terreno para nos satisfazer! Não podemos nos preencher com algo que não seja o próprio Deus!

Jesus nos garante isso, é inútil tentar encontrar em qualquer outro – que não Ele – o preenchimento que nos dê plenitude interior.

Ele é aquilo de que carecemos. Corramos a Ele hoje, exatamente agora!

Vá lá e encontre o que você precisa!

 

Gile

Um minuto para a meia-noite

Quase meia-noite

Então, o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram a encontrar-se com o noivo. Cinco dentre elas eram néscias, e cinco, prudentes. As néscias, ao tomarem as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo; no entanto, as prudentes, além das lâmpadas, levaram azeite nas vasilhas. E, tardando o noivo, foram todas tomadas de sono e adormeceram. Mas, à meia-noite, ouviu-se um grito: Eis o noivo! Saí ao seu encontro! Então, se levantaram todas aquelas virgens e prepararam as suas lâmpadas. E as néscias disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão-se apagando. Mas as prudentes responderam: Não, para que não nos falte a nós e a vós outras! Ide, antes, aos que o vendem e comprai-o. E, saindo elas para comprar, chegou o noivo, e as que estavam apercebidas entraram com ele para as bodas; e fechou-se a porta. Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: Senhor, senhor, abre-nos a porta! Mas ele respondeu: Em verdade vos digo que não vos conheço. Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora (Mateus 25.1-13).

Que horas são? Ouvimos, vez por outra, alguém questionar. Sim, o tempo é importante, sobretudo numa época onde estamos sempre super atarefados. Sobrecarregados, essa é a palavra que define nossa geração. Mas há ainda outra, que mais bem a define: final. Esta é a geração do fim; quanto ainda resta? Não é possível saber, mas de uma coisa nenhum de nós pode ter dúvida – não há muito tempo.

Nunca em qualquer outro momento da curta história da humanidade houve tantas guerras ocorrendo ao mesmo tempo, nem informações trafegando à velocidade da luz, ou mesmo corrupção entre o gênero humano tal que faria os vis habitantes de Sodoma, Gomorra e arredores ruborizarem de constrangimento. Vivemos o clímax da apreensiva espera pelo noivo. Todos, em pé nos bancos de madeira da congregação, aguardam ansiosamente a chegada do noivo. Alguém se atreveria a perguntar: algum sinal do noivo? Se alguém o fizesse, não haveria dificuldade em responder: sim, muitos!

A aviltante legalização da união entre pessoas do mesmo gênero (um fato não menos grave do que a aprovação massiva de tal prática) é apenas um dentre os muitos acenos do padrinho à porta da catedral – não há dúvidas, amigos, o noivo já está vindo!

Os fatos à nossa volta não devem nos causar espanto, pois é necessário que tais acontecimentos ocorram. Não estamos aqui para mudar o mundo, nem foi essa a intenção de Jesus no primeiro advento: “Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti (…). É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus (…). Eles não são do mundo, como também eu não sou” (João 17.1,9,16).

Eles não são do mundo, e Jesus pede ao Pai que os guarde deste mundo [o sistema espiritual caído e sob o domínio do mal ora prevalente].

Eles não estão aqui para mudar o mundo, estão aqui para notificar o mundo a respeito do fim:

Ora, não levou Deus em conta os tempos da ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam; porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos (Atos 17.30).

Jesus não veio para mudar o mundo ou transformá-lo num lugar melhor. Ele veio para “notifica[r] aos homens que todos, em toda parte, se arrependam; porquanto estabeleceu um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de um varão”, isto é, Jesus.

O noivo fez sua pré-entrada na cerimônia, nela Ele notificou a todos de que a hora do ato solene e final já se aproxima. O que faremos, então, diante de tal circunstância funesta?

Ouvindo eles estas cousas, compungiu-se-lhes o coração e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, irmãos? Respondeu-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo (Atos 2.38).

Você ouviu a resposta de Pedro?

ARREPENDEI-VOS.

Não há muito mais que possamos fazer. E nem menos, se é que desejamos escapar do caos vindouro. Não apenas do caos, mas do acerto de contas com Deus a que estaremos submetidos caso não ouçamos com atenção e consideração a Palavra de Deus.

Se a meia-noite é símbolo da chegada do noivo; isto é, da contagem regressiva para o fim – no grande relógio do céu – estamos a um minuto da meia-noite!

 

Gile

Estamos aqui

help-me

Em frente à televisão, ociosamente lendo os posts do facebook, folheando as páginas cinzas do jornal ou em qualquer outro lugar em atividade vã: vasculhando as coisas grandiosas, em busca do mais renomado, da fama e do grandioso.

Muitos de nós temporária ou permanentemente fazemos isso. O mundo grandioso ao nosso redor nos empurra na direção desse pensamento. Essa mentalidade forçosamente se nos é imposta. Então, nos intoxicamos (e a palavra é exatamente essa!) com a glória humana! Passamos a evitar o comum e buscar o grandioso.

Esquecemo-nos – e eu me incluo nisso (porque também sou um cristão vivendo neste mundo) – de que as coisas que Deus está fazendo não estão no palco principal da vida, ocorrem nos bastidores (teatralmente falando!).

É nas conversas corriqueiras com pessoas comuns que Deus faz suas mais belas e extraordinárias obras. E o mais fantástico de tudo isso, é através das pessoas mais comuns que Deus executa tais obras!

São nas situações mais comuns do cotidiano através de pessoas simplesmente comuns, que o extraordinário Deus pinta as mais belas situações. É exatamente nessas horas que Ele toca o ferido, consola o triste, ergue o caído, abraça o só, perdoa o pecador e restaura o coração quebrado.

No subúrbio, na casa de paredes envelhecidas, gramado seco e amarelado, portão enferrujado, um pequeno quintal (que precisa de reparos!), exatamente aí moram as pessoas que estão sendo tocadas por Deus. Você duvida?:

Certamente, a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus. Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos instruídos. Onde está o sábio? Onde, o escriba? Onde, o inquiridor deste século? Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação. Porque tanto os judeus pedem sinais, como os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.  Porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens. Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação; visto que não foram chamados muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos de nobre nascimento; pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus. Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente (1Coríntios 1.18-29; 2.14; grifo acrescido).

Não há dúvida, escrituristicamente, de que Deus está envolvido nas coisas pequenas. As coisas desprezadas, são as de que Deus se lembra. Ele está interessado nos que foram esquecidos:

Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos (Isaías 57.15; grifo acrescido).

Deus quer que estejamos com Ele, no mesmo lugar, e com o mesmo pensamento. Ele nos insta a pensar como Ele, a abrir mão de nossa própria forma de pensar enquanto somos moldados – em nossos conceitos internos e sentimentos – por Sua Palavra:

E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Romanos 12.2).

Este é Seu desejo, propósito e desígnio para a Igreja. Somos seu corpo – obedeçamos à cabeça, que é Cristo. Toquemos os que Ele quer tocar, abracemos os que são alvo de Seu abraço, sejamos obedientes à Sua compaixão e misericórdia, concordemos com Seus ternos sentimentos!

É preciso compartilhar do sentimento de Deus, de Sua graça:

Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade (Filipenses 2.4-8,13; grifo acrescido).

É preciso sentir como Ele, ter as batidas do coração harmonizadas com as dEle. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus.

O mesmo, não uma imitação barata! Exatamente o mesmo sentimento; i.e., o mesmo Espírito que o motivou deve nos motivar também. A mesma adorável presença deve nos encher também. Somente assim não apenas passaremos por aqui, presos a coisas glamorosas e banais, mas estaremos aqui!

 

Gile

O Mestre e o mar

Ele dormia tranquilamente,
enquanto, assombrados pelo soçobrar das ondas,
agonizávamos em nossos medos.
As monstruosas ondas nos apavoravam
e faziam de homens acostumados ao mar
meninos amedrontados,
escondidos no convés encharcado pela fúria do mar.
– Mestre, Mestre! Não se te dá que morramos? Estamos a naufragar!

Ele, calmamente, enxugou as lágrimas desesperadas de nossas faces
enquanto, em maestria soberana, organizava as ondas
e orquestrava os ventos.
Que, ao Seu comando, deixaram de uivar
e passaram a cantar a doce melodia da brisa.
Sua voz ecoou mais forte do que as ondas.
Rugindo em poder, ordenou:
– Aquieta-te vento, acalma-te mar!
O homem de Nazaré até sobre o mar e o vento
sabe governar.

- Homens de pequena fé, não sabeis quem Eu sou?
Depois, viemos a saber que Ele era o grande Eu Sou!
Agora, nem os maremotos ou os tufões
nos tiram o sono.
Como Ele – e por causa Dele -
também dormimos tranquilos no convés,
repousando em nossa fé,
sabendo em quem cremos!
E ainda hoje ouvimos Sua forte voz:
– Acalma-te vento, aquieta-te mar!


Gile

09 de maio de 2013

Anelando o Amado

Eu dormia, mas o meu coração velava; eis a voz do meu amado, que está batendo: Abre-me, minha irmã, querida minha, pomba minha, imaculada minha, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos, das gotas da noite. Já despi a minha túnica, hei de vesti-la outra vez? Já lavei os pés, tornarei a sujá-los? O meu amado meteu a mão por uma fresta, e o meu coração se comoveu por amor dele. Levantei-me para abrir ao meu amado; as minhas mãos destilavam mirra, e os meus dedos mirra preciosa sobre a maçaneta do ferrolho. Abri ao meu amado, mas já ele se retirara e tinha ido embora; a minha alma se derreteu quando, antes, ele me falou; busquei-o e não o achei; chamei-o, e não me respondeu. Encontraram-me os guardas que rondavam pela cidade; espancaram-me e feriram-me; tiraram-me o manto os guardas dos muros. Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, se encontrardes o meu amado, que lhe direis? Que desfaleço de amor (Cânticos 5.2-8).

O livro de Cântico dos cânticos (i.e., o maior de todos os cânticos) descreve o relacionamento entre Salomão e uma jovem plebeia – descrita apenas como “sulamita” ou “sunamita”, pois provinha da cidade de Suném. A jovem era uma pobre camponesa dotada de uma beleza exótica; pois, diferentemente das jovens da aristocracia de Jerusalém, possuía a pele queimada pela exposição continuada ao sol (Cânticos 1.5-6). O que era incomum para as damas da capital, Jerusalém, que evitavam o sol a fim de manterem uma pele jovem e bela. O ser morena era, por si só, um atestado de pobreza no que se refere às mulheres daqueles dias. Ademais, a sulamita habitava em uma casa (e não em um palácio, como é próprio da nobreza), que por sinal estava cheia de frestas, foi por uma delas que o noivo colocou suas mãos e fez o coração da noiva comover-se. Ela não era conhecida pelos guardas, pois a confundiram com uma meretriz ou criminosa ao vê-la perambulando, à noite, pelas ruas escuras de Jerusalém; uma dama da alta sociedade de Jerusalém seria prontamente reconhecida pelos guardas tanto pelas vestes quanto pelo penteado e aspecto de sua pele.

Assim, dentre todas as mulheres de Jerusalém, Salomão enamorou-se por uma simples plebeia. Também Cristo enamorou-se pelos fracos e desvalidos deste mundo, dando a eles o direito de serem chamados filhos de Deus (1Coríntios 1.26-29; João 1.12-13; Romanos 8.14)!

O livro de Cânticos apresenta linguagem metafórica para descrever Cristo (i.e., o noivo) e sua amada, a Igreja.

Mas o que é a Igreja?

Igreja não são pessoas que apenas conhecem a verdade, mas aqueles que decidiram assumir um compromisso com Cristo, são os que se uniram a Ele recebendo sobre si o Seu senhorio – por isso a Igreja é chamada a noiva do cordeiro: 2Coríntios 11.2; Efésios 5.23-27; Apocalipse 19.7-9; João 13.15-17; Mateus 7.24-27.

Cristo é o possuidor e proprietário da Igreja. A Igreja é dele!: Mateus 16.18.

Na Igreja, assim como no matrimônio, não há espaço para individualismo, negligência ou falta de compromisso; Cristo não abriu espaço para isso: João 6.47-59. De que você está se alimentando: do pão mirrado da missa, das reuniões do centro espírita ou de alimento sólido do céu? (Daniel 1.3-19).

A Igreja é ordenada a reunir-se regularmente sob a autoridade de um líder chamado por Deus, e com autoridade para disciplinar e ensinar: Hebreus 10.24-25; 1Coríntios 12.28-31; Tito 2.6,15; 2Timóteo 4.1-2.

O tema desses versículos é a última chance. A noiva tratou o matrimônio com indiferença, os apelos do amado não obtiveram resposta favorável. A noiva permitiu ao noivo retirar-se sem que seu amor [do noivo] fosse correspondido. Frustração é o sentimento que descreve a saída do noivo. Quando se deu conta do grave erro cometido, a noiva correu desesperadamente atrás do noivo. Mas, infelizmente, já era tarde. Uma única chance lhe havia sido dada, e essa única oportunidade havia sido desperdiçada. Não façamos o mesmo com Cristo, quando Ele nos chamar, respondamos prontamente. Não diga estou ocupado de mais para orar, tenho muitos afazeres para ler a Bíblia. Quando Ele chama, sempre é importante; nenhum afazer é mais urgente do que responder ao apelo de Cristo. Nenhum dia será mais feliz do que aquele que começa e termina em oração.

No que se refere ao versículo 2, Hudson Taylor comenta:

Muito tocantes são as palavras Dele: ‘Abre-me, minha irmã’ (Ele é o primogênito entre muitos irmãos), ‘minha querida’ (o objeto de devoção do meu coração), ‘minha pomba’ (aquela que foi adornada com muitos dons e graças do Espírito Santo), ‘minha imaculada’ (limpa, renovada e purificada para mim)[1].

O noivo sabia o que deveria fazer para lembrar a noiva do primeiro amor que houve entre eles (agora já estavam casados), ele pôs a mão na fresta da casa. O que havia na mão do noivo que “comoveu” a noiva? O anel, o selo do compromisso que um dia prometeram um ao outro? Ou talvez seriam as marcas dos cravos? Lembrar-se do sacrifício de Cristo e compreendê-lo em toda sua profundidade nos ajuda a revigorar o amor por Cristo (Romanos 5.8).

A noite representa a iminência da volta de Cristo (ver parábola das 10 virgens, Mateus 25.1-13), a visita do noivo marca a volta de Cristo. É interessante o fato de que a noiva estava dormindo mas seu coração velava (v. 2); isto é, ela aguardava a visita do noivo. Contudo; quando ele veio, ela não o soube receber. Estamos preparados para a visita do noivo? Quando Ele vier, o receberemos como a sulamita? Pois, se o fizermos, não teremos outra oportunidade – assim como ela – de o receber!

O noivo não permanecerá à porta para sempre; se demorarmos para responder ao seu chamado, Ele baterá em retirada (Apocalipse 3.20; Isaías 55.6; 1Tessalonicenses 5.1-5). Então, ficaremos sozinhos na noite escura!

 

Gile


[1]TAYLOR, Hudson. Cântico dos cânticos: o misterioso romance. 1. ed. São Paulo: CCC, 2002.

A geração do fim

Seeing the future

Guerra civil em várias partes do mundo, corrupção na política e religião, sociedades secretas investindo sorrateiramente na mente da população suas cosmovisões rotuladas de ciência, união entre homossexuais legalizada em vários países, a indústria do aborto lucrando vultosas somas todos os anos, terremotos, maremotos e vulcões em erupção – o mundo convulsiona. O que mais é necessário para que Cristo volte?

Absolutamente nada. Podemos ser a geração do arrebatamento, não há dúvidas quanto a isso!

Em nossos dias, a fé é desafiada, nossas convicções são afrontadas. Somos provocados quanto a nossa fé em Jesus. Que postura assumiremos? A Escritura é enfática: temos que manter firmes nossas convicções (Romanos 5.2; 1Coríntios 15.1,58; Gálatas 5.1; Efésios 6.11,14; 16.13; Filipenses 4.1; Colossenses 1.23; 1Tessalonicenses 3.8; 2 Tessalonicenses 2.15; 1Pedro 5.9; Hebreus 10.23 entre outros textos). Nossa fé não pode mirrar ante a postura belicosa e avante do mundo. Temos que nos manter firmes, sem recuar ou silenciar ante as posições contrárias de um mundo que se asfixia em sua própria iniquidade.

Nossa missão nunca foi a de relações públicas, não estamos em uma busca por popularidade ou em sermos aceitos por este mundo (ao menos, não deveríamos!).

Não estamos em uma luta para mudar o mundo, mas para convencê-lo da verdade. Não temos a incumbência de transformar o mundo, pois ele – inexoravelmente – está entesourado para a destruição (2Pedro 3.7). Isso não pode ser mudado. Quem luta contra tal destino, trabalha em vão.

Sendo a geração do fim, o que Deus requer de nós?:

Vivei, acima de tudo, por modo digno do evangelho de Cristo, para que, ou indo ver-vos ou estando ausente, ouça, no tocante a vós outros, que estais firmes em um só espírito, como uma só alma, lutando juntos pela fé evangélica; e que em nada estais intimidados pelos adversários. Pois o que é para eles prova evidente de perdição é, para vós outros, de salvação, e isto da parte de Deus. Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele,  pois tendes o mesmo combate que vistes em mim e, ainda agora, ouvis que é o meu (Filipenses 1.27-30).

 

Gile

Jesus Cristo, o único caminho

E não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos (Atos 4.12).

 

Gile

A caminho do lar

Você já deve tê-lo visto pela janela de seu carro, em meio a uma viagem de férias, ou na televisão – durante um filme. Veste maltrapilha, calçados velhos e esfarrapados, com sua grande mochila nas costas – um andarilho. Andrajoso caminha rumo a um lugar. Eu não acredito que ele se sinta confortável em suas andanças. Penso que seus pés cheios de bolhas aguardam ansiosamente a chegada ao lar, quando – enfim – poderão descansar de sua longínqua jornada.

Ele não se sente à vontade entre as pessoas que lhe censuram pelo olhar. Não está em casa na longa jornada rumo a sua própria casa. Ele não chegou ao seu destino, mas está rumando até ele. Assim somos nós como cristãos: não estamos em nosso habitat, estamos deslocados nesta vida terrena de indiferença ao Deus salvador. Sentimo-nos como um peixe fora d’água nesta fria terra de iniquidade. Bom, ao menos é de se esperar que um cristão se sinta assim:

Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos. Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas. (Filipenses 3.16, 20-21);

Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria. E, se, na verdade, se lembrassem daquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade (Hebreus 11.13-16);

Amados, exorto-vos, como peregrinos e forasteiros que sois, a vos absterdes das paixões carnais, que fazem guerra contra a alma (1Pedro 2.11).

Não se espera que um cristão sinta-se à vontade neste mundo, se ele assim está é porque se distanciou de Deus. Enquanto mantivermos nossa visão Nele, guardaremos convictamente a capacidade de ver a miséria desta terra. E não estou fazendo alusão à pobreza. Estou me referindo a toda a esfera dúplice que envolve nossa vida aqui: material e espiritual. Enquanto olharmos para Deus, poderemos enxergar claramente a miséria espiritual e material desta terra. Se há em nós a visão de que aqui vivemos um mar de rosas, de que a vida é bela – então, perdemos a visão de Deus. Já não somos transeuntes – como o apóstolo Paulo – mas moradores permanentes de um mundo que está entesourado para destruição:

Ora, os céus que agora existem e a terra, pela mesma palavra, têm sido entesourados para fogo, estando reservados para o Dia do Juízo e destruição dos homens ímpios (2Pedro 3.7).

Ninguém entra em um voo aspirando à própria viagem. Quando o avião decola, os passageiros tem somente um desejo, chegar ao destino. Ninguém, ao chegar ao local final, diz: chegamos? Achei que o objetivo da viagem era o próprio caminho!

Não! O objetivo da viagem é o destino, chegar a algum lugar!

E como o andarilho, os verdadeiros crentes anseiam por este lugar. João, no penúltimo versículo de Apocalipse, suspira: “Vem, Senhor Jesus!” (Apocalipse 22.20). Um caminhante ansioso pelo lar!

Por algum tempo, ainda contemplaremos a cena do homem barbudo caminhando à beira da rodovia. Com seu olhar fixo e sua expressão cansada, manifesta-nos que sua jornada ainda não cessou. E ele ainda não pôde descansar porque, como nós, está apenas a caminho do lar!

 

Gile

A letalidade espiritual da irreverência

Reverência

Em nossos dias, o entretenimento foi elevado à categoria de necessidade básica. Mas, nem sempre, foi assim. Em outros dias, a reverência e o devido respeito interior ocupavam o lugar, agora, destinado ao entretenimento.

É lastimável observar que tal cultura secular traspassou a divisa espiritual para enfraquecer e esfriar a fé dos cristãos. E isso claramente se vê nas reuniões e – tristemente – também na vida daqueles que se autoproclamam discípulos de Jesus.

Convido-o a viajar até as páginas sagradas e verificar como os verdadeiros discípulos de Jesus posicionavam-se ante as coisas sagradas.

Comecemos pelo antigo testamento, ali encontramos dois exemplos muito instrutivos a respeito da reverência: começando por Moisés, passaremos até o profeta messiânico – Isaías.

Certo dia, enquanto Moisés pastoreava algumas ovelhas, viu uma cena singular – uma sarça que ardia mas não se consumia. Intrigado, o pastor aproximou-se com cautela. Quando já próximo do fenômeno, ouviu a voz que dizia:

Vendo o SENHOR que ele se voltava para ver, Deus, do meio da sarça, o chamou e disse: Moisés! Moisés! Ele respondeu: Eis-me aqui! Deus continuou: Não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa. Disse mais: Eu sou o Deus de teu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Moisés escondeu o rosto, porque temeu olhar para Deus (Êxodo 3.4-6).

O que Deus estava ensinando a Moisés? Para respondermos esta pergunta precisamos entender o que tirar as sandálias dos pés significa. Naqueles dias, e ainda em alguns lugares nos nossos dias, tirar as sandálias dos pés indica reverência e humilhação. Quando alguém tirava as sandálias dos pés, estava dizendo: este é um lugar sagrado, aqui, eu me humilho e reconheço minha indignidade retirando minhas sandálias, entro de pés descalços. REVERÊNCIA.

Se Moisés vivesse nos nossos dias e fosse membro de uma denominação cristã, e fosse até o púlpito dar o testemunho de sua experiência extraordinária com Deus, e contasse tudo o que ocorreu e como tirou as sandálias dos pés – logo alguém iria rir dele, o dirigente da reunião tomaria o microfone de suas mãos e diria para todos dançarem na presença de Deus, porque ali “é lugar de alegria”!

Claramente vemos o contraste entre a atitude de Moisés e a que existe no coração dos cristãos dos nossos dias. Reverência? (alguns questionariam), o que isso tem a ver com meu relacionamento com Deus?

A reposta de Deus, desde a sarça ardente, é: você NÃO PODE vir a mim sem ela em seu coração! (“Não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa”).

Parafrasearia o versículo 5 da seguinte forma: Não venha até aqui, Moisés; não do jeito que você está. Se quiser vir, deve tirar a sandália da irreverência e vir com os pés descalços – reverente!

Moisés aprendeu, desde muito cedo – na verdade, foi sua primeira lição com Deus, que a reverência é extremamente importante e poderosa no relacionamento com Ele. Reverência – Moisés nos explicaria – é a chave para a intimidade com um Deus que é Santo, Santo, Santo.

Isaías recebeu a mesma lição na escola de discípulos de Deus. Ao ter uma breve ilustração da santidade de Deus, Isaías entendeu que estava faltoso diante de um Deus que é 3 vezes Santo! (na verdade, elevar a santidade de Deus ao terceiro grau de repetição é apenas uma figura de linguagem que a Escritura emprega para demonstrar que a santidade é a mais importante característica de Deus, uma vez que nenhuma outra característica Dele é repetida, indicando intensidade e importância, na Bíblia):

No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça. Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos! (Isaías 6.1-5).

Isaías diz eu vi o Senhor. E como ele era? – perguntamos ao profeta. Ele, então, responde como Ele viu a Deus (o que não, necessariamente, reflete toda a majestade e santidade de Deus – trata-se apenas de uma visão simbólica que Deus deu ao profeta): sentado em um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Havia anjos ao Seu redor, e eles repetiam insistentemente Santo, Santo, Santo.

- Por que Santo, Isaías? Por que não Amor, Amor, Amor ou Misericórdia, Misericórdia, Misericórdia? – questionamos o profeta.

- Porque, apesar de todas essas coisas serem parte do caráter de Deus, o que predomina e o define é a Santidade. Em palavras simples, Ele é intensamente Santo; quando olhar para Ele, a primeira coisa que você verá será Sua santidade!

A visão que Deus concedeu a Isaías é um lembrete para que ele não se esquecesse em nome de quem profetizava. Não se esqueça, Isaías, você profetiza em nome de um Deus que é, intensamente, Santo! – Deus lhe lembrou através da visão.

Como Isaías respondeu à visão? Ele reconheceu sua miséria, e Deus o aperfeiçoou. Tocou-lhe nos lábios, “com a brasa tocou a minha boca” (v.7). A visão de Deus, deu a Isaías uma nova postura diante de um Deus que é – não apenas santo, mas – Santo, Santo, Santo! Deus o ensinou a ser reverente, aprendeu que deve cuidar com o que fala, pois está continuamente diante de um Deus que é Santo.

O que Isaías aprendeu? O mesmo que Moisés, a ter reverência! Ambos presenciaram visões assombrosas de um Deus que se revelou apenas parcialmente, pois nenhum ser humano – neste corpo terreno – suportaria a plenitude da manifestação de Deus.

Avancemos no tempo, até o século I depois de Cristo. Como estava a Igreja de Cristo?

Apocalipse nos responde: os efésios deixaram o primeiro amor; os de pérgamo, acolheram os hereges que sustentavam as doutrinas de Balaão e dos nicolaítas; os de Tiatira, toleraram Jezabel, uma falsa profeta que causou graves danos espirituais; em Sardes, os cristãos nominais estavam espiritualmente mortos; em Laodicéia, havia mornidão espiritual, não havia frieza, mas algo ainda pior – mornidão (uma detestável mistura entre o santo e o profano – algo que ofende gravemente um Deus que é Santo, Santo, Santo).

Este, meus caros, é o retrato da Igreja algumas poucas décadas depois de Cristo ascender ao céu. Assim vivam alguns cristãos – apenas nominalmente. Alguns eram bem intencionados – como os efésios e os de pérgamo – mas acolheram pessoas cuja doutrina e vida Deus detestava! (Apocalipse 2.6). Se verificarmos o texto com atenção, veremos que alguns daqueles crentes eram sinceros, mas erravam em sua excessiva tolerância e transigência. O que lhes faltava, então? Reverência! Lembrar-se de que Deus é Santo! E que, portanto, JAMAIS se associará ao pecado. Assim, se alguém quer vir a Ele, deve deixar o pecado, ou então não poderá andar com Deus.

Minha suspeita é que eles, assim como nós, precisam recordar a quem servem, necessitamos de uma visão assombrosa do Deus que é infinitamente Santo, para – então – assumirmos a postura que o caráter santo de Deus exige: reverência!

Revisemos nossas vidas e atitudes minuciosamente e busquemos ardentemente o primeiro e reverente amor que Deus deseja de nós.

Se Ele fosse nos escrever uma carta, como fez às sete igrejas da Ásia, certamente nos exortaria a voltarmos a ser reverentes. E, certamente, que o fez quando escreveu àqueles, pois Sua palavra é Sua vontade a todo o corpo de Cristo em todo tempo e lugar: reverência!

 

Gile

O poder da cruz de Cristo

(escrito em 10 de maio de 2010)

Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo (Gálatas 6.14).

Apesar de estar entre os escombros desta sociedade perversa, a cruz de Cristo sobrevive impávida entre desprezo, indiferença, escárnio e tantas outras atitudes que intentam depreciar seu imenso valor. Assim, ela segue sendo “poderosa para salvar” (Romanos 1.16) e o pilar central do evangelho, “o poder de Deus para todo aquele que nele crê” (1Coríntios 1.18).

Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho; não com sabedoria e palavra, para que se não anule a cruz de Cristo (1Coríntios 1.17).

É o que os sistemas ideológicos seculares procuram fazer desde sempre: anular a cruz de Cristo. Contudo, não têm obtido êxito. Milhares de vidas, indiferentes às investidas seculares contra a cruz de Cristo, têm sido transformadas. Nos cinco continentes multiplicam-se os que experimentaram o novo nascimento, agora, incorruptíveis, livres dos vícios e do sensacionalismo do mundo que os cerca. Livres dos sentimentos aprisionadores e, sobretudo, do encarcerador pecado.

Livres porque conheceram a verdade, o evangelho em que ocorreu a morte substitutiva de Cristo na cruz.

Contudo, não me interprete mal, a cruz não é um amuleto, em si mesma não possui poder algum. O que a qualifica são os eventos que ocorreram nela; i.e., a morte substitutiva de Jesus.

Não importa qual seja sua situação, não faz diferença qual seja a natureza de seus erros ou quão grandes eles possam ser, creia-me, o amor de Jesus é muito maior do que todos eles e é suficiente para perdoá-lo. Cristo o amou, Ele morreu por você. Ainda há uma esperança e quem nos garante isso é o poder da cruz de Cristo.

Ainda há tempo para que você experimente uma mudança verdadeira e permanente. Cristo pode ajudá-lo, deixe Jesus transformá-lo hoje, agora mesmo. Não é tarde demais para você nem para ninguém, hoje pode recebê-lo e tudo pode ser diferente. Porque há poder no sangue de Jesus derramado na cruz. Ele pagou sua dívida, receba o perdão de Deus ao aceitar Cristo como seu Senhor e Salvador.

Não perca mais tempo, tudo pode ser diferente!

 

Gile

Hoje é dia de milagres!

Poder 

Milagres são reais. São presentes sobrenaturais de Deus, manifestações do reino dos céus. O reino e o poder do Rei se manifestam (também) através de milagres.

Hoje, exatamente este dia, é o tempo de eles ocorrerem.

Jesus disse que eles seguiriam aos que cressem (Marcos 16.17-18), viriam como confirmação da pregação do Evangelho (Marcos 16.20) e estariam à disposição de cada crente (João 14.12).

Tristemente, nestes dias, vivemos uma “crise de milagres”. As pessoas os desprezam como se eles não fossem importantes para manifestar o reino de Deus. Jesus – e não fui quem disse! – garantiu que os milagres são manifestações confirmatórias do reino.

Quando no cárcere João ouviu falar das obras de Cristo, mandou por seus discípulos perguntar-lhe: “És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (Mateus 11.3).

Ao que Jesus, categoricamente, respondeu, “Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho. E bem-aventurado é aquele que não achar em mim motivo de tropeço” (Mateus 11.4-6).

Basicamente, o que Jesus está dizendo é – se vocês querem saber se eu sou o messias e se já é chegado o reino dos céus, vejam os milagres que eu faço, olhem ao redor e concluam por si mesmos (baseados em minhas obras) se eu sou quem digo ser.

Os milagres e (e não ou) a mensagem nos garantem que Ele é o messias e que o reino de Deus já está entre nós!

Devemos, contudo, evitar os extremos. Tanto o que exalta os milagres em detrimento da mensagem quanto o que pensa poder viver o reino de Deus à parte dos milagres.

Milagres são parte do reino de Deus. Eles estão incluídos neste maravilhoso reino, chamado celeste. Assim como não podemos falar do céu sem citar o sol, não podemos falar do reino sem nos lembrar dos milagres.

Entretanto, é óbvio que o conteúdo da mensagem é que valida os milagres. Mas a mensagem per se NÃO nos permite desprezar os milagres, como se ela pudesse existir sem eles. Assim como o cabo e a extremidade metálica do martelo são partes de um mesmo instrumento de trabalho, a mensagem e os milagres são partes de um mesmo meio pelo qual o reino se manifesta. Não podem, indubitavelmente, ser separados pois trabalham cooperativamente para um mesmo fim – a glória de Deus e a salvação dos homens.

O grupo dos “naturalistas” (como eu chamo aqueles que diminuem a importância e a utilidade dos milagres e negam a atualidade dos dons espirituais) tem feito um grande esforço – e, infelizmente, logrado êxito – em nos convencer de que os milagres (e, indiretamente, os dons espirituais dos quais eles [os naturalistas] não se fazem participantes) são desprezíveis e de pouco ou nenhum valor na carreira cristã e pregação do evangelho.

É trágico ver muitos cristãos que crêem na atualidade dos dons, desprezá-los após serem convencidos por aqueles. Pois os dons e os milagres são o que Jesus (e, repito, não apenas eu) garantiu serem poder para testemunharmos dele. I.e., sem eles nosso testemunho é pobre:

Mas recebereis poder [quando?], ao descer sobre vós o Espírito Santo, e [a partir de então] sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra (Atos 1.8).

Essas palavras de Jesus encerram uma ordem de fatos: primeiro somos revestidos de poder (o pentecostes), depois somos testemunhas.

Ao ouvirem tais palavras (ou lerem a respeito de tal promessa de Jesus), alguns naturalistas respondem: as manifestações do Espírito Santo são uma vida transformada e não “o barulho”. É triste ouvir isso, pois se trata de falácia antiga – que, já há muito, deveria ter sido rechaçada.

O verdadeiro poder muda nossas vidas, nos dá convicção de pecados, um reverente temor a Deus, (e é por isso que) faz de nós capacitadas testemunhas de Jesus (Atos 2.14; 4.13).

E foi isso o que Jesus disse em Atos 1.8. Leia o texto atentamente e você chegará à conclusão correta.

O que Jesus nos garante é que o poder nos proporciona reverberação à mensagem. Muito poder, muita reverberação; pouco poder, pouca reverberação. Lembra-se daquelas linhas acima, onde eu disse: Assim como o cabo e a extremidade metálica do martelo são partes de um mesmo instrumento de trabalho, a mensagem e os milagres são partes de um mesmo meio pelo qual o reino se manifesta. (…) Trabalham cooperativamente para um mesmo fim – a glória de Deus e a salvação dos homens?

Os observadores atentos da Bíblia podem claramente ver a mudança ocorrida no seio da Igreja após o pentecostes. Pedro, o vacilante, tornou-se ousado e convicto. Os mesmos 11 discípulos que correram amedrontados do Getsêmani quando Jesus estava sendo preso pelos guardas do templo, agora, estavam correndo, não da prisão, mas para ela a fim de pregar o Evangelho pelo qual Cristo viveu e morreu.

Você consegue ver a mudança?

O que causou tal mudança? Qual evento tornou tal metamorfose possível?

Busque na Escritura e você encontrará uma palavra: PENTECOSTES!

Ele é a chave para a manifestação do reino.

Porém, há falsos pentecostes hoje como houve naqueles dias. Embusteiros tentaram enganar o povo com “fogo falso”. Quer exemplos?

Cito alguns. Elimas, o mágico:

Enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre. Chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas judaicas; tinham também João como auxiliar. Havendo atravessado toda a ilha até Pafos, encontraram certo judeu, mágico, falso profeta, de nome Barjesus, o qual estava com o procônsul Sérgio Paulo, que era homem inteligente. Este, tendo chamado Barnabé e Saulo, diligenciava para ouvir a palavra de Deus. Mas opunha-se-lhes Elimas, o mágico (porque assim se interpreta o seu nome), procurando afastar da fé o procônsul. Todavia, Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, fixando nele os olhos, disse: Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perverter os retos caminhos do Senhor? Pois, agora, eis aí está sobre ti a mão do Senhor, e ficarás cego, não vendo o sol por algum tempo. No mesmo instante, caiu sobre ele névoa e escuridade, e, andando à roda, procurava quem o guiasse pela mão. Então, o procônsul, vendo o que sucedera, creu, maravilhado com a doutrina do Senhor (Atos 13.4-12).

Nesse texto vemos o encontro explosivo do poder de Deus com o poder das trevas. Elimas enganava o povo com suas falsas profecias e encantamentos (Atos 13.6). Paulo anunciava-lhes o reino de Deus (Atos 13.5,7). É importante observarmos que o procônsul Sérgio Paulo só pôde crer no Evangelho quando viu o poder de Deus operado pelas mãos do apóstolo Paulo. Sem este poder (i.e., exclusivamente pelas palavras) ele jamais seria alcançado pelo evangelho: “Então, o procônsul, vendo o que sucedera, creu, maravilhado com a doutrina do Senhor” (grifo acrescido). Quão estimulante é perceber que o procônsul estava maravilhado “com a doutrina”, mas que ele creu apenas ao “ver o que sucedera”. Aqui está um exemplo claro de que os milagres cooperam com a doutrina.

Outro exemplo de “fogo estranho” é descrito no capítulo 8 de Atos, na cidade de Samaria:

Ora, havia certo homem, chamado Simão, que ali praticava a mágica, iludindo o povo de Samaria, insinuando ser ele grande vulto; ao qual todos davam ouvidos, do menor ao maior, dizendo: Este homem é o poder de Deus, chamado o Grande Poder. Aderiam a ele porque havia muito os iludira com mágicas (Atos 8.9-11; grifo acrescido).

Contudo, nenhum desses exemplos de falso fogo deve nos decepcionar ou nos conduzir a desprezar os dons e milagres que Deus nos concede.

Assim como os escândalos não nos devem afastar da fé em Jesus, o falso poder não nos deve desestimular a buscá-lo e vivê-lo na carreira da fé e pregação do Evangelho.

Ademais, a Escritura contém incontáveis palavras de confirmação quanto à validade e importância do poder sobrenatural de Deus na experiência cristã:

Alguns se ensoberbeceram, como se eu não tivesse de ir ter convosco; mas, em breve, irei visitar-vos, se o Senhor quiser, e, então, conhecerei não a palavra, mas o poder dos ensoberbecidos. Porque o reino de Deus consiste não em palavra, mas em poder (1Coríntios 4.18-20; grifo acrescido);

A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus (1Coríntios 2.4-5; grifo acrescido);

Estes sinais hão de acompanhar aqueles que crêem: em meu nome, expelirão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e, se alguma coisa mortífera beberem, não lhes fará mal; se impuserem as mãos sobre enfermos, eles ficarão curados. (…) E eles, tendo partido, pregaram em toda parte, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra por meio de sinais, que se seguiam. (Marcos 16.17-18,20; grifo acrescido);

Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai (João 14.12; grifo acrescido. A palavra maiores, no contexto das Escrituras, indica quantidade e não qualidade – assim, a tradução parafraseada seria: “e mais trabalho tereis a fazer”[1]).

Em suma, não despreze os dons e não despreze os milagres. Apenas lembre-se: hoje é dia de milagres!

 

Gile


[1] ARRINGTON, French L.; STROSTAD, Roger (ed). Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2011. 1952 p.

Fardos pesados

Um dos convites que Cristo nos faz é não necessitarmos mais levar fardos (Mateus 11.28-30). Ele nos promete que aquele que o segue não terá peso algum sobre si. Esse é um bom meio de avaliarmos nossa fé. Se ainda levamos fardos sobre nós, nossa fé é vã. Pois estar em Cristo é justamente não levar fardos.

Se a vida fosse uma fábrica, os fariseus trabalhariam na expedição. Eles, como ninguém, sabiam colocar fardos pesados nos ombros alheios. Jesus os critica por isso, pois a fé em Jesus é leve, torna-nos livres.

Hoje, ainda temos fardos sendo postos sobre as pessoas.

1) O fardo fatalista do predestinacionismo:

Este é um fardo difícil de ser identificado. Alguns dizem não ser relevante identificá-lo e que você pode ser discípulo de Jesus mesmo que o esteja levando. Embora não seja isso o que o próprio Jesus tenha dito:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve (Mateus 11.28-30; grifo acrescido);

e:

Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me (Lucas 9.23).

Só há uma “carga” a ser levada pelo cristão – o vitupério de Cristo, a identificação com Jesus que nos faz ser odiados pelo mesmo mundo (sistema espiritual) que o odiou até a morte.

Acrescentar o jugo fatalista sobre si é levar um peso de que você já foi liberto.

Quando distorcemos os eventos da salvação e da carreira cristã, estamos fazendo algo da mais alta gravidade. Não é inofensivo afirmar, por exemplo, que Cristo morreu por apenas alguns (como os fatalistas afirmam) ou que tudo é predeterminado por Deus e que somos apenas marionetes cósmicas de um deus manipulador. E isso por uma simples razão: esse deus fatalista não é o Deus da Escritura. Assim como Alá não é Jeová, o deus predestinacionista não é o Deus amoroso da Bíblia; e, como os que seguem Alá estão em direção diferente à que leva ao céu, os seguidores do deus fatalista andam em um percurso diferente de Cristo e encerram caminho diferente do céu.

Pedro nos adverte de que não é de somenos distorcermos eventos tão sérios quanto os que nos conduzem à salvação:

Por essa razão, pois, amados, esperando estas coisas, empenhai-vos por serdes achados por ele em paz, sem mácula e irrepreensíveis, e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como igualmente o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, ao falar acerca destes assuntos, como, de fato, costuma fazer em todas as suas epístolas, nas quais há certas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras, para a própria destruição deles. Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais da vossa própria firmeza; antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno (2Pedro 3.14-18; grifo acrescido).

Você realmente crê que Deus estava apenas “brincando” quando inspirou João a registrar em Apocalipse:

Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro; e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro (Apocalipse 22.18-19)?.

O predestinacionismo cria caos e desespero, Cristo traz paz e liberdade. Este, claramente, afirma a liberdade de escolha do homem em textos como:

Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me (Lucas 9.23; grifo acrescido);

Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo (Apocalipse 3.20, grifo acrescido);

Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram vossos pais, também vós o fazeis (Atos 7.51; grifo acrescido);

Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! (Mateus 23.37; grifo acrescido).

E tantos outros textos em toda a Bíblia.

2) O fardo moralista-religioso:

Este é um já antigo conhecido. Todos sempre sabem apontá-lo, e não tem dificuldade em identificá-lo. Às vezes, até se excedem e o enxergam onde ele, na verdade, não está.

Este fardo afirma que normas religiosas e de conduta nos conduzem à salvação. Quando, na verdade, é o oposto. Não investiremos tempo em dissecá-lo. Apenas citaremos o exemplo farisaico de fardo moralista-religioso e relembraremos que este jugo pesado e desnecessário está representado pelo sistema religioso-político (tanto daqueles dias quanto dos nossos):

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois vós não entrais, nem deixais entrar os que estão entrando! Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque devorais as casas das viúvas e, para o justificar, fazeis longas orações; por isso, sofrereis juízo muito mais severo! Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós! (…) Guias cegos, que coais o mosquito e engolis o camelo! Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque limpais o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de rapina e intemperança! Fariseu cego, limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo! Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia! Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas, por dentro, estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade. Serpentes, raça de víboras! Como escapareis da condenação do inferno? (Mateus 23.13-15,24-28).

 

3) Fardo do pecado:

O mais pesado de todos os fardos presente em todos os outros fardos, pois aqueles que o levam ainda não estão livres deste. Refere-se ao peso dos pecados comprimindo nossa alma, trazendo angústia e desespero.

Vemos tal evento no Getsêmani, quando Jesus mesmo sendo sem pecado tomou sobre si os pecados da humanidade e sentiu aquilo que o pecador sente (tristeza, dor, solidão, angústia, vazio interior), embora permanecesse santo e ligado a Deus, como parte inexorável da Trindade:

Em seguida, foi Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar; e, levando consigo a Pedro e aos dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se. Então, lhes disse: A minha alma está profundamente triste até à morte; ficai aqui e vigiai comigo (Mateus 26.36-38; grifo acrescido);

e:

Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora (João 12.27).

Este fardo não é aliviado por outros, como moralismo, pseudobondade caritativa, religiosidade, ritualismo. Ele persiste trazendo cansaço à alma, até que o sangue de Cristo o lance fora, no mar do esquecimento:

Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia. Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniqüidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar (Miquéias 7.18-19);

e:

Eis que foi para minha paz que tive eu grande amargura; tu, porém, amaste a minha alma e a livraste da cova da corrupção, porque lançaste para trás de ti todos os meus pecados (Isaías 38.17).

A gravidade de levar fardos desnecessários é que, enquanto estivermos presos a qualquer fardo, jamais poderemos viver a salvação que há em Cristo.

Não há meio-termo!

 

Gile

O falível poder do secreto

(escrito em 26 de julho de 2010)

Fotografado por Robert Nurzynski

Ele coloca sua roupa típica na sacola e a deposita no banco de trás de seu carro. Depois de alguns minutos dirigindo, finalmente chega à assembléia – onde outros, como ele, se escondem atrás de um capuz. E não é só em suas reuniões que o fazem, também no dia-a-dia vivem ocultos atrás de uma falsa piedade.

Toda atitude só pode ser verdadeiramente boa quando surge do coração, e sem esperar algo em troca. Em suma, a genuína caridade é um ato espontâneo (1Coríntios 13.5). As máscaras servem para criar no imaginário alheio a idéia de quem somos que desejamos que eles tenham. É uma formação de conceito artificial sobre quem de fato somos. Enquanto sorrisos sociais e gestos gentis sobejam em seus cotidianos, na verdade, em seus corações, eles nunca foram o que aparentemente demonstraram em seu dia-a-dia (Mateus 12.33-34). É a política mais intensa e real de que se tem notícia.

E não pense que é algo novo. Não! Não foi semana passada que alguém teve essa idéia “genial”. Foi há séculos. A bem da verdade, há milhares de anos.

Isso já ocorria no tempo de Jesus – pessoas fingindo ser o que não eram ou escondendo suas reais intenções atrás de falsas gentilezas. Há um termo para isso, HIPOCRISIA (Mateus 23.25).

Jesus sumaria a questão em Mateus 10.26,28 e Lucas 12.1-2, respectivamente, ouçamos a voz do Bom Pastor que ecoa pelos séculos:

Portanto, não os temais; pois nada há encoberto, que não venha a ser revelado; nem oculto, que não venha a ser conhecido. Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo. Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Nada há encoberto que não venha a ser revelado; e oculto que não venha a ser conhecido.

Com essas palavras, Jesus nos garante que nenhuma atitude hipócrita sobre a face da terra ficará sem a devida revelação. Todo ato hipócrita será desmascarado no dia em que todo homem comparecer perante Deus na eternidade.

Isso nos alegra por um breve momento, porque revela a falibilidade do oculto, até nos darmos conta de que todos somos hipócritas.

Em uma fração de segundo, o sorriso irônico que brotou na face de cada leitor destas simples palavras se transforma em um nó na garganta.

Seremos descobertos, nossos atos secretos serão revelados no dia do acerto de contas com o Juiz Celeste! Estamos em aperto, caro amigo. O que fazer?

Reconhecer que o secreto só o será por um breve período de tempo, já é um grande passo em direção à luz da verdade. Entretanto, não é suficiente. É preciso reconhecer a verdade quando se está diante dela, ter um feeling. E ainda mais, praticá-la:

Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, que não caiu, porque fora edificada sobre a rocha. E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia; e caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram com ímpeto contra aquela casa, e ela desabou, sendo grande a sua ruína  (Mateus 7.24-27).

Se é certo que nossas mais íntimas intenções serão reveladas, só há uma saída: mudá-las.

E isso é possível?

“Só se eu nascesse novamente!” – alguém pode pensar. E, certamente, não estará errado em tal idéia. Jesus nos garante que não há outro jeito:

Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. (…) O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüídas as suas obras  (João 3.3-16,19-20; grifo acrescido).

Este novo nascimento é o que Pedro tão bem asseverou em sua epístola:

Ora, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo as obras de cada um, portai-vos com temor durante o tempo da vossa peregrinação, sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós que, por meio dele, tendes fé em Deus, o qual o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de sorte que a vossa fé e esperança estejam em Deus. Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal, não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente, pois fostes regenerados não de semente corruptível, mas de incorruptível, mediante a palavra de Deus, a qual é viva e é permanente. Pois toda carne é como erva, e toda a sua glória, como a flor da erva; seca-se a erva e cai a flor; a palavra do Senhor, porém,  permanece eternamente. Ora, esta é a palavra que vos foi evangelizada  (1Pedro 1.17-25; grifo acrescido).

Se você já está cansado e sobrecarregado com o fardo da mentira e do secreto, siga o conselho do Espírito de Deus através das Páginas Sagradas:

Isto, portanto, digo e no Senhor testifico que não mais andeis como também andam os gentios, na vaidade dos seus próprios pensamentos, obscurecidos de entendimento, alheios à vida de Deus por causa da ignorância em que vivem, pela dureza do seu coração, os quais, tendo-se tornado insensíveis, se entregaram à dissolução para, com avidez, cometerem toda sorte de impureza. Mas não foi assim que aprendestes a Cristo, se é que, de fato, o tendes ouvido e nele fostes instruídos, segundo é a verdade em Jesus, no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade. Por isso, deixando a mentira, fale cada um a verdade com o seu próximo, porque somos membros uns dos outros (Efésios 4.17-25; grifo acrescido).

Com muito carinho, a todos os que se escondem atrás do secreto.

 

Gile

Povos não alcançados

Talvez, você nunca tenha ouvido falar deles. Quiçá, sequer tenha consciência de que existam pessoas vivendo nessas circunstâncias.

Isolados pelas trevas espirituais, caminham sem direção em um mundo-bolha de morte espiritual sem que ninguém os advirta a respeito disso - os povos não alcançados.

Deus quer alcançá-los através de Seu corpo, a Igreja. Se somos o corpo de Cristo, que Suas mãos toquem os caídos à beira do caminho e se estendam até o mais fundo poço para tocar os moribundos espirituais desta terra árida.

Porque não ousarei discorrer sobre coisa alguma, senão sobre aquelas que Cristo fez por meu intermédio, para conduzir os gentios à obediência, por palavra e por obras, por força de sinais e prodígios, pelo poder do Espírito Santo; de maneira que, desde Jerusalém e circunvizinhanças até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo, esforçando-me, deste modo, por pregar o evangelho, não onde Cristo já fora anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio; antes, como está escrito: Hão de vê-lo aqueles que não tiveram notícia dele, e compreendê-lo os que nada tinham ouvido a seu respeito (Romanos 15.18-21; grifo acrescido).

Desperta Igreja, corpo de Cristo!

 

Gile

Corra! (Carter Conlon)

Pregação do pastor Carter Conlon – pastor sênior da Times Square Church, em New York – na manhã do primeiro domingo após os atentados de 11 de Setembro de 2001 (i.e., 16/09/2001).

Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro. De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes. Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação, e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e perdição. Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores. Tu, porém, ó homem de Deus, foge destas coisas; antes, segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a constância, a mansidão. Combate o bom combate da fé. Toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado e de que fizeste a boa confissão perante muitas testemunhas (1Timóteo 6.3-12; grifo acrescido).

 

Assim, pois, se alguém a si mesmo se purificar destes erros, será utensílio para honra, santificado e útil ao seu possuidor, estando preparado para toda boa obra. Foge, outrossim, das paixões da mocidade. Segue a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor (2Timóteo 2.21-22; grifo acrescido).

 

Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes (2Timóteo 3.1-5; grifo acrescido).

 

Gile

Quando o inimigo se infiltra

 

Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência (1Timóteo 6.12-16).

 

Há uma triste notícia a ser dada a você, cristão deste início de século, estamos perdendo A guerra. Eu não disse que estamos perdendo uma simples batalha, mas que estamos perdendo A guerra. E a razão porque estamos perdendo – e prestes a ver uma grande queda (se ela já não ocorreu entre nós) – é que o inimigo reutilizou uma tática suja: a tática de infiltrar-se entre as fileiras contrárias, pois ele não nos pôde vencer de fora para dentro, então se infiltra entre nós a fim de destruir-nos de dentro para fora.

Como um vírus, está infectando fatalmente o corpo de Cristo - em verdade,  uma ameaça muito pior do que qualquer microorganismo jamais poderá ser.

Nosso mais temido inimigo nestes dias tribulosos se chama psicoheresia.

E se você acha que estou soando o alarme à toa, responda a este questionamento – quando as pessoas estão tristes (sejam elas cristãs ou não) ou quando têm um problema difícil a resolver, a quem elas procuram, aconselhamento bíblico ou aconselhamento psicológico?

Quantos são os que nunca vieram (ou virão) a Cristo porque entre eles e Cristo (i.e., a vida eterna) há uma diabólica muralha chamada psicologia (psiquiatria, psicanálise e afins)?

Eu lhe asseguro que não são (ou serão) poucos.

O psicólogo clínico, Richard Landis, abarca esta fração do grande caos trazido pela pseudociência psicológica, ao afirmar precisamente - “a maioria da medicação psicotrópica tende a desintensificar as coisas. Então, enquanto diminuem a depressão, também diminuem a alegria. E também estão a minimizar o que significa ser humano ao evitar lidar com o problema”[1].

Mas gostaria de levá-lo a uma reflexão ainda mais profunda – quantos são os cristãos nominais que estão deixando a suficiência de Cristo e Sua Palavra para buscar suposto auxílio psicológico?

Você compreende, agora, a gravidade do caso. Não apenas temos deixado de alcançar almas (que agora permanecem sob o jugo do mundo) como também estamos perdendo membros do corpo de Cristo para a religião psicológica.

Não tenha duvidas, este é um caso grave!

É importante, contudo, ressaltar que a psiquiatria (psicologia, psicanálise e afins) NÃO é uma ciência. Não há um estudo sequer que comprove a existência desses “distúrbios psiquiátricos”. Os “transtornos” a que os pacientes estão submetidos foram inventados e votados pela Associação Americana de Psiquiatria. Isso mesmo, eles foram VOTADOS! Onde está a ciência disso? Na ciência se emprega o método científico –  i.e., ver um problema, formular uma hipótese, realizar uma experiência que seja capaz de determinar se a hipótese formulada é verdadeira ou não, realizar o experimento e, só então, concluir se a hipótese estava correta ou não. Nenhum desses passos jamais foi dado nas psicoáreas. Há estudos, mas que não respondem a nenhuma pergunta e que não conduzem a nenhuma conclusão a respeito da existência de tais “transtornos” ou de tratamentos adequados para tais. Em primeiro lugar, esses transtornos precisam ser COMPROVADOS. Sequer temos um estudo ou uma prova objetiva que ateste sua existência. Fica tudo muito nebuloso e nada científico no campo das psicoáreas.

E isso não é um pensamento meu, é uma realidade conhecida no mundo inteiro:

 

Veja também o que o doutor Thomas Szasz tem a dizer sobre a psiquiatria:

 

E você poderá me perguntar, porque tudo isso está ocorrendo?

Ouça o que a Verdade Absoluta tem a dizer:

Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência (1Timóteo 4.1-2).

Esta não é uma mera batalha intelectual, não – meu caro -, é uma batalha espiritual, “por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios”. A sabedoria popular já afirmava há muito tempo, “o maior truque do diabo foi fazer crer ao mundo que ele não existia”.

Portanto, se você acha que estou levando a coisa longe demais ou se não vê aplicação neste versículo para a psicologia (psiquiatria, psicanálise e afins), leia atentamente as palavras abaixo:

A psicoterapia moderna [...] não é meramente uma religião que se faz passar por ciência; ela é uma religião falsa que procura destruir a verdadeira religião. Dado que a psicanálise e seus conceitos associados são tão diametralmente opostos ao Cristianismo bíblico, não há dúvida de que a ‘falsa religião’ de Freud é produto de ‘ensinos de demônios’. Além do mais, temos condições de argumentar com muita propriedade que as teorias de Freud vieram direta e indiretamente de ‘espíritos enganadores’, através dos métodos que ele empregava para analisar seus pacientes. Ele os colocava em estados de consciência alterados usando a hipnose e a técnica altamente sugestiva da ‘livre associação’. Logo no início, enquanto estava formulando algumas de suas teorias, Freud consumia regularmente cocaína, uma droga que altera a mente, para superar suas crises de depressão. Chamando-a de sua droga mágica, ‘ele insistia para que seus colegas também a usassem, tanto em si mesmos quanto em seus pacientes’. (…) A psicoterapia é uma forma moderna de xamanismo, o que explica este comentário preciso do psiquiatra E. Fuller Torrey: ‘As técnicas usadas pelos psiquiatras ocidentais, com algumas exceções, estão no mesmo plano científico das técnicas usadas pelos curandeiros [xamãs e pagés]‘. (…) A vida e as obras do psiquiatra Carl Gustav Jung revelam claramente que suas teorias psicológicas vieram diretamente dos ‘espíritos enganadores’ sobre os quais Paulo nos alerta em 1Timóteo 4.1. Seu lado materno da família [de Jung] era profundamente envolvido com espiritismo. Para se comunicar com sua primeira esposa falecida, seu avô, pastor Samuel Preiswerk, conduzia sessões espíritas contínuas da qual participava sua segunda esposa e sua filha (mãe de Jung). Esta última, sujeita a surtos de insanidade, reservava duas camas na casa de Jung para fantasmas visitantes. A tese de doutorado de Jung (publicada em 1902) foi baseada em sessões espíritas conduzidas por sua prima de treze anos de idade, que ele colocou em transe hipnótico para entrar em contato com seus ancestrais falecidos. Em 1916, a casa de Jung foi atacada por seres demoníacos que afirmavam ser cruzados cristãos de Jerusalém. Eles estavam buscando orientação a respeito da redenção e estavam muito desapontados com seu cristianismo, que os havia deixado numa situação desesperada. Eles não saíram da casa de Jung até que ele começou a escrever orientações para eles, recebidas de um de seus muitos espíritos-guias – seu mentor Filemon, o ‘ancião com chifres de touro’. Richard Noll, professor de história da Ciência na Universidade de Harvard e psicólogo clínico (que afirma não ser ‘um cristão de espécie alguma’), faz algumas observações estarrecedoras em seu livro sobre Jung, ‘O Culto de Jung’. Ele argumenta que ‘as teorias psicológicas [de Jung] sobre o inconsciente coletivo e os arquétipos são essencialmente disfarces, uma capa pseudocientífica para esconder as práticas que configuravam, na verdade, um novo movimento religioso no qual Jung ensinava as pessoas a terem visões em transe e a fazerem contato direto com os deuses’[2].

E isso é apenas a ponta do iceberg. McMahon nos descortina apenas uma pequena porção, suficiente para darmos uma rápida espiada no que realmente há no mundo das psicoáreas.

Contudo, creio que esta olhadela já nos seja suficiente para compreender que nosso inimigo é mais forte e astuto do que imaginamos.

Esta guerra só pode ser realizada com jejum, oração e uma visão centrada na Bíblia.

De outro modo, jamais poderemos vencê-la.

 

Gile


[1] LUCROS DE MATAR. Disponível em <http://www.cchr.pt/videos/making-a-killing.html>. Acesso em 08 de agosto de 2012.

[2] MCMAHON, T.A. Psicologia na Igreja: a religião anticristã do egocentrismo. Porto Alegre: Actual, 2007. p. 43-46.

Jesus, a fonte de água viva!

Música “The Well” (A fonte), do grupo americano Casting Crowns.

Deixou a Judéia, retirando-se outra vez para a Galiléia. E era-lhe necessário atravessar a província de Samaria. Chegou, pois, a uma cidade samaritana, chamada Sicar, perto das terras que Jacó dera a seu filho José. Estava ali a fonte de Jacó. Cansado da viagem, assentara-se Jesus junto à fonte, por volta da hora sexta. Nisto, veio uma mulher samaritana tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber. Pois seus discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. Então, lhe disse a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana (porque os judeus não se dão com os samaritanos)? Replicou-lhe Jesus: Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva. Respondeu-lhe ela: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva? És tu, porventura, maior do que Jacó, o nosso pai, que nos deu o poço, do qual ele mesmo bebeu, e, bem assim, seus filhos, e seu gado? Afirmou-lhe Jesus: Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna. Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água para que eu não mais tenha sede, nem precise vir aqui buscá-la (João 4.3-15; grifo acrescido).

 

Gile

Mais pensamentos

 
Ore por aqueles… se você puder orar por aqueles que os outros odeiam, você está crescendo, você está se tornando maduro em Cristo Jesus (David Wilkerson)
 

Entretenimento é o substituto do diabo para a alegria (Leonard Ravenhill)

 

Aguado. Meias verdades. Este ‘evangelho’ diz: ‘apenas creia e seja salvo’. Não há nada de arrependimento, nada da tristeza segundo Deus, nada de se converter dos seus pecados, nada de tomar a sua cruz e seguir ao Senhor; mas, as pessoas que fazem uma ‘oraçãozinha’, te disseram: ‘você está bem, tudo bem’ (David Wilkerson).

 

Nós revisamos isso e dizemos: ‘se você consegue reunir as pessoas em um prédio por uma hora, num domingo de manhã, isso é a Igreja’. Isso não é a Igreja! Podemos usar tudo o que estiver a nossa disposição para mantermos as pessoas vindo à igreja por uma hora e mantê-la ativa, em movimento; mas não é essa a Igreja que Jesus edificou! (Jim Cymbala).

 

E eu me envergonho de fazer parte da Igreja de Jesus hoje, porque eu acredito que é uma vergonha a um Deus santo. [...] Nossa alegria se baseia em bater palmas e ter alguns momentos agradáveis e depois estamos falando todas as baboseiras mundanas (Leonard Ravenhill).

 

Acho melhor tomarmos cuidado com este negócio de ‘Deus te ama, Deus te ama!’, e este evangelismo desleixado de adesivos de carro. Você irá lembrar às pessoas da bondade e da severidade de Deus? Você os lembrará de que haverá um dia em que a misericórdia será retirada para sempre? Você os lembrará de que as pessoas oram no inferno, mas ninguém responde? (Leonard Ravenhill).

O plano da salvação

Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito (1Pedro 3.18).

 

Gile

Trindade e a separação espiritual de Jesus na cruz

(escrito em 13 de fevereiro de 2010) 

É possível que o Deus trino tenha se separado em essência, ou seja, espiritualmente no Calvário? Será que a declaração de Cristo – Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mateus 27.46) – significa realmente que ele foi desamparado espiritualmente por Deus Pai?

Se assim o for, como entender as palavras de Jesus antes do Getsêmani – em João 16.32 – “não estou só, porque o Pai está comigo?”. E o salmo 22, de onde deriva a afirmação de Jesus: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste”?

Não pretendo e não creio ter a palavra final neste assunto, contudo creio que a Bíblia o tenha. Por isso, pretendo apresentar os argumentos dela e peço ao leitor que a examine insistente e exaustivamente até que o Espírito da Verdade realize sua obra nesta questão: “ele vos guiará em toda a verdade” (João 16.13).

Iniciarei esta discussão relembrando a importante doutrina da trindade. Retiro esta citação conforme a fonte citada abaixo (grifo meu):

 Nota da Bíblia de Estudo Pentecostal a Marcos 1.11

As três divinas pessoas da Trindade estão presentes no batismo de Jesus. Deus é revelado nas Escrituras como um só Deus, existente como Pai, Filho e Espírito Santo (cf. Mt 3.16,17; 28.19; Mc 1.9-11; 2 Co 13.14; Ef 4.4-6; 1 Pe 1.2; Jd 20,21). Esta é a doutrina da Trindade, expressando a verdade de que dentro da essência una de Deus, subsistem três Pessoas distintas, compartilhando uma só natureza divina comum. Assim, segundo as Escrituras, Deus é singular (i.e., uma unidade) num sentido, e plural (i.e., trina), noutro.

(1) As Escrituras declaram que Deus é um só, uma união perfeita de uma só natureza, substância e essência (Dt 6.4; Mc 12.29; Gl 3.20). Das pessoas da deidade, nenhuma é Deus sem as outras, e cada uma, juntamente com as outras, é Deus.

(2) O Deus único existe numa pluralidade de três pessoas identificáveis, distintas; mas não separadas. As três não são três deuses, nem três partes ou expressões de Deus, mas são três pessoas tão perfeitamente unidas que constituem o único Deus verdadeiro e eterno. O Filho e também o Espírito Santo possuem atributos que somente Deus possui (ver Jo 20.28 nota; 1.1,14 nota; 5.18 nota; 14.16; 16.8,13; Gn 1.2; Is 61.1; At 5.3,4; 1 Co 2.10,11; Rm 8.2,26,27; 2 Ts 2.13; Hb 9.14). Nem o Pai, nem o Filho, nem o Espírito Santo, foram feitos ou criados em tempo algum, mas cada um é igual ao outro em essência, atributos, poder e glória.

(3) O Deus único, existente em três pessoas, torna possível desde toda a eternidade o amor recíproco, a comunhão, o exercício dos atributos divinos, a mútua comunhão no conhecimento e o inter-relacionamento dentro da deidade (cf. Jo 10.15; 11.27; 17.24; 1 Co 2.10)[1].

 Gostaria de destacar algumas afirmações do comentarista a respeito das pessoas da trindade:

…nenhuma é Deus sem as outras;

…distintas; mas não separadas;

…são três pessoas tão perfeitamente unidas que constituem o único Deus verdadeiro e eterno.

Todas essas afirmações expressam uma característica vital da trindade – ela é indivisível. Este é um conceito central. O que desejo expressar com isso é que, no momento em que separarmos a trindade, ela simplesmente deixará de ser trindade. Não há divisão entre as pessoas da trindade. Trindade não significa três pessoas distintas que andam separadas, mas que tem o mesmo pensamento. Contudo, pessoas unidas em natureza; espiritualmente ligadas, unidas.

Agora vejamos o que afirma a doutrina da separação espiritual de Jesus. Para tal utilizarei a mesma fonte – a Bíblia de Estudo Pentecostal (grifo meu):

 Nota da Bíblia de Estudo Pentecostal a Mateus 26.39

O que Cristo quis dizer com este cálice tem sido objeto de muita discussão. (1) É duvidoso que Cristo estivesse orando para ser poupado da morte física, pois Ele estava decidido a morrer pelo pecado da raça humana (cf. Mc 10.33,34; Lc 9.51; Jo 12.24,27; Hb 10.5-9).

(2) É mais provável que Ele estivesse pedindo a isenção do castigo da separação do Pai, a pena máxima pelo pecado do mundo, que Ele tomaria sobre si. Cristo pediu que sua morte física fosse aceita como resgate total pelo pecado da humanidade pecadora. Todavia, Ele disse ao Pai: Não seja como eu quero, mas como Tu queres. A seguir, Ele entregou-se para sofrer, tanto a morte física como a separação espiritual de seu Pai celestial, para assim obter a salvação de toda a humanidade (cf. 27.46). Sua oração foi ouvida, pois o Pai o fortaleceu mediante os anjos, para beber o cálice que lhe estava destinado (Lc 22.42; ver Hb 5.7)[1].

Nota da Bíblia de Estudo Pentecostal a Mateus 27.46

Este brado de Cristo assinala o ponto culminante dos seus sofrimentos pelo mundo perdido. Seu brado em aramaico (Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?) testemunha que Ele experimentou a separação de Deus Pai, ao tornar-se substituto do pecador. Esta é a pior tristeza, angústia e dor que Ele sente. Está ferido pelas transgressões dos seres humanos (Is 53.5) e se dá em resgate de muitos (20.28; 1 Tm 2.6). Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado pela humanidade inteira (2 Co 5.21). Ele morre abandonado, para que nunca sejamos abandonados (cf. Sl 22). Assim, mediante seus sofrimentos, Cristo redime a raça humana (1 Pe 1.19)[1].

Será que “Seu [de Jesus] brado em aramaico (Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?) testemunha que Ele experimentou a separação de Deus Pai, ao tornar-se substituto do pecador”?

Ou será que essa manifestação verbal de Jesus reflete os sentimentos que invadiram seu coração ao tomar os pecados da humanidade sobre si?

Se nos voltarmos à origem das palavras de Jesus no Gólgota – i.e., o salmo 22 – teremos uma visão clara do significado dessas palavras.

O salmo 22 inicia com as mesmas palavras de Jesus:

Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu bramido? Deus meu, clamo de dia, e não me respondes; também de noite, porém não tenho sossego. Contudo, tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel (Salmo 22.1-3, grifo meu).

O salmista Davi inicia com uma profecia messiânica, o que equivale a dizer que Jesus não estava apenas clamando no Calvário, muito além disso, Ele estava afirmando peremptoriamente: Eu sou o messias!

A seguir, o salmista relata sua angústia e como não obteve sucesso na busca por auxílio divino; contudo, ao final, ele exclama que – embora não esteja vendo Deus – o Senhor continua no meio de seu povo. Em palavras simples: eu não te vejo, Deus meu, mas eu sei que estás aqui, em meio aos nossos louvores (“Contudo, [ou seja, contrário a todas as minhas perguntas sem respostas] tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel”). 

Jesus sabia que tais palavras (Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?) seriam manifestadas por Ele na cruz, Ele mesmo inspirou Davi a registrá-las no livro dos Salmos! Por isso advertiu seus discípulos – horas antes de iniciar sua inquisição pelos judeus e romanos – “eis que vem a hora e já é chegada, em que sereis dispersos, cada um para sua casa, e me deixareis só; contudo, não estou só, porque o Pai está comigo” (João 16.32).

A primeira parte do versículo equivale às palavras de desespero de Davi – “Por que se acham longe de minha salvação as palavras de meu bramido? Deus meu, clamo de dia, e não me respondes; também de noite, porém não tenho sossego” – i.e., “sereis dispersos, cada um para sua casa, e me deixareis só”.

E a parte final de João 16.32 é correlata a Salmos 22.3: “contudo, não estou só porque o Pai está comigo” – i.e. – “contudo, tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel”.

Dessa forma, fica claro que Jesus não estava só na cruz, Deus estava lá com Ele!

É simplesmente impossível conciliar a doutrina da separação espiritual de Cristo na cruz com essas palavras de Jesus em João 16.32 e o salmo 22.

Não há outra forma de entender essas simples palavras de Jesus, senão que o Pai (Deus Pai) não o abandonou durante seus sofrimentos e crucificação.

Não há duvida, a partir da análise minuciosa dos textos sagrados, de que Jesus permaneceu ligado ao Pai. Isso Ele já havia afirmado antes: “Eu e o Pai somos um” (João 10.30). Ele disse um e não dois! Desculpe-me a redundância, mas o que significa um nesse texto? Unidade.

Quando Ele falava de unidade não se referia à unidade física, mas à unidade espiritual, a unidade do reino de Deus: “Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós” (Lucas 17.20-21). Quando Ele diz dentro, não está se referindo à parte interna do corpo e sim à parte interna do indivíduo trino, formado de corpo, alma e espírito. Ou seja, à dimensão mais profunda do ser humano – espiritual, onde reside alma e espírito.

O que Jesus estava expressando quando disse “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27.46) é precisamente explicado nas palavras de Max Lucado:

Os espinhos simbolizam nas Escrituras, não o pecado, mas a conseqüência dele. Lembra-se de Adão? Após Adão e Eva terem pecado, Deus amaldiçoou a terra: ‘maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos e cardos também te produzirá; e comerás dela todos os dias da tua vida’ (Gn 3.17-18). Arbustos espinhosos na terra são o produto do pecado no coração.

Esta verdade ecoou nas palavras de Deus a Moisés. Ele ordenou que os israelitas expurgassem da terra todos os ímpios. A desobediência resultaria em dificuldades. ‘Mas, se não lançardes fora os moradores da terra de diante de vós, então, os que deixardes ficar deles vos serão por espinhos nos vossos olhos e por aguilhões nas vossas costas e apertar-vos-ão na terra em que habitardes’ (Nm 33.55).

A desobediência resulta em espinhos. ‘Espinhos e laços há no caminho do perverso’ (Pv 22.5). Jesus comparou até mesmo a vida das pessoas más com os espinhos. Ao referir-se aos falsos profetas, Ele disse: ‘Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? (Mt 7.16).

Os frutos do pecado são os espinhos – pontiagudos, duros e cortantes espinhos.

Enfatizo o ‘tema’ dos espinhos para sugerir um assunto que você pode nunca ter considerado: Se os espinhos são os frutos do pecado, não seria a coroa de espinhos na cabeça de Jesus um símbolo de nosso pecado perfurando seu coração?

Quais são os frutos do pecado? Pise na sarça da humanidade e sinta alguns cardos. Vergonha. Medo. Desgraça. Desânimo. Ansiedade. Já não estiveram nossos corações cheios desses cardos?

No entanto, isto não aconteceu ao coração de Jesus. Ele nunca foi atingido pelos espinhos do pecado. O que você e eu enfrentamos diariamente, Ele nunca conheceu. Ansiedade? Ele nunca se preocupou! Culpa? Ele nunca foi culpado! Medo? Ele nunca saiu da presença de Deus! Jesus nunca provou estes frutos do pecado… até se tornar pecado por nós.

E quando o fez, todas as emoções do pecado vieram sobre Ele como nuvens na floresta. Ele sentiu ansiedade, culpa e solidão. Dá para sentir a emoção em sua oração? ‘Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?’ (Mt 27.46). Estas não são as palavras de um santo. Este é o apelo de um pecador[2].

O que Max Lucado nos apresenta é que há uma grande diferença entre o que Jesus sentia ser e o que Ele de fato era na cruz. Ele sentiu-se abandonado, embora “não estou só, porque o Pai está comigo” (João 13.32). Ele sentiu o que o pecador sente ao pecar (solidão), mas nunca provou o que o pecador prova ao pecar – separação espiritual (“Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que vos não ouça” – Isaías 59.2).

Isso porque Jesus nunca pecou, e se Ele nunca pecou (Hebreus 4.15; 1João 3.5; 2Coríntios 5.21, entre outras passagens), porque Deus o separaria de sua própria presença, fato que desconstituiria a trindade? Ela é indestrutível e indissolúvel. Portanto, a resposta à questão, creio, seja sumariada neste trecho da obra supracitada: “Jesus nunca provou estes frutos do pecado… até se tornar pecado por nós. E quando o fez, todas as emoções do pecado vieram sobre Ele como nuvens na floresta. Ele sentiu ansiedade, culpa e solidão. Dá para sentir a emoção em sua oração? ‘Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?’” (grifo acrescido).

 

Gile


[1] Bíblia de Estudo Pentecostal. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida, com referências e algumas variantes. Revista e Corrigida, Edição de 1995, Flórida-EUA: CPAD, 1999.

[2] LUCADO, Max. ELE ESCOLHEU OS CRAVOS.  2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002. p. 25-26.

Por amor de Ti, Senhor

Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Romanos 8.32,35-39).

No primeiro século depois de Cristo, a cena que nos descreve a Escritura é realmente singular: um homem de olhar penetrante e palavras tão firmes que, como flechas, perfuram o coração enrijecido dos que o cercavam. Agora, tomados de ódio (Atos 7.54), eles se aproximam para ouvir o último discurso deste valoroso discípulo de Jesus. Após ver o que todos nós deveríamos ter em mente a cada dia de nossas vidas (Atos 7.55-57), Estêvão sofreu o martírio – uma chuva de pedras que o feriram e escreveram com seu sangue a história do primeiro mártir da Igreja (Atos 6.8-8.2).

No início deste novo milênio; contudo, a cena em que nos vemos envolvidos é bem distinta. Chocados, testemunhamos o surgimento de todo tipo de recreação e divertimento sob o rótulo cristão, numa tentativa patética de prover entretenimento à multidão que carrega em seus carros ou camisetas o slogan “Deus é fiel”.

A regra de ouro do “cristianismo” institucional deste início de século é ”dê às pessoas aquilo que elas querem” (mas não o que necessitam!). Até shows de comédia “gospel” entorpecem a mente dos incautos com o espírito de distração deste século!

Fomos chamados para algo mais nobre do que isso.

Fomos chamados para algo muito mais nobre do que isso. Mas permanecemos, por alguma razão ignorada, sentados em nossos confortáveis bancos na congregação, assistindo – muito animados – às canções bem executadas nas manhãs de domingo.

Não me interpretem mal, não sou o arauto da verdade ou da vida cristã precisa (nem contra canções cristãs bem executadas!).

Mas há um certo sentimento de desconforto que me cerca ao perceber, pela Escritura, a discrepância entre o modo de vida da Igreja primitiva e o que adotamos no início deste século. Será que sou a única pessoa que vê alguma incongruência entre ambos?

Creio que não (espero que não!).

O que me incomoda é o fato de nos preocuparmos mais com cantar bem do que com testemunhar bem. Somos afinados, mas também depravados. Isso é uma grave incongruência!

Como podemos cantar do que não vivemos? Como podemos ficar satisfeitos em simplesmente sermos parte de um grupo – seja musical, de jovens ou parte de uma comunidade religiosa?

Deus não nos chama a sermos tão somente cantores, oradores ou freqüentadores de uma comunidade cristã. Ele nos chama a sermos testemunhas (Atos 1.8).

Deus não nos chama a dar resultados; somos chamados a realizar um trabalho, e fazê-lo bem feito. Mas nos tornamos obcecados por resultados. Desejamos, ardentemente, reconhecimento. Queremos que nosso grupo seja o maior, o mais poderoso e o mais conhecido.

E quanto ao nome de Deus?

A razão porque Estêvão doou sua vida é precisamente definida pelo apóstolo Paulo:

Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro. Em todas estas coisas, porém, somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou (Romanos 8.36-37; grifo acrescido).

Por amor a Deus, Estêvão deu sua vida. E por meio Dele (exclusivamente Dele!) tornou-se mais do que vencedor.

Não são nossas vozes tão belas e precisas, nossas casas-palácios, nossa fama ou nossa conta bancária que nos fazem mais do que vencedores. Pois, ao pôr-se do sol desta lida, tudo terá sido perdido:

Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos (Filipenses 3.7-11; grifo acrescido).

Grandes vultos do passado se foram, mas o que permanece de homens como David Livingstone? Seu amor e devoção a Deus (curiosamente, a tradução de seu nome – Livingstone – significa “pedra viva”; 1Pedro 2.5).

O que diríamos de alguém como o “homenzinho da rua George”, em Sydney – Austrália[1]. Muitos nem sabem seu nome, mas sua vida evangelística alcançou muitos para Cristo.

Homens como Hudson Taylor – que alcançou cerca de 125 mil almas para Cristo, na China do final do século XIX (quando ainda não existia internet, TV ou rádio)[2] – o que eles diriam desta geração?

O que diriam de nossas roupas engomadas, nosso nariz erguido e nosso senso de dever cumprido ao sair da reunião dominical?

Achamos que fazemos muita coisa por doar 2 horas semanais? Eles doaram suas vidas! Décadas e décadas de existência empregadas à causa do Mestre – Jesus.

O Calvário fulgura sobre esses homens. A glória de Deus é proclamada por suas vidas mais do que jamais poderemos cantar em nossas afinadas sinfonias dominicais.

A verdade, meus caros, é direta e precisamente proferida por Jesus neste belíssimo texto:

E quem não toma a sua cruz e vem após mim não é digno de mim. Quem acha a sua vida perdê-la-á; quem, todavia, perde a vida por minha causa achá-la-á (Mateus 10.38-39).

Assim, nenhum de nós alcançará coisa alguma até que tenha perdido tudo.

 

Gile


[1] Sua história pode ser lida em <http://www.chamada.com.br/mensagens/rua_george.html>. Acesso em 9 de julho de 2012.

[2] TAYLOR, Hudson. Cântico dos cânticos: o misterioso romance. 1. ed. São Paulo: CCC, 2002. p. 129-130.

Confiar em Ti (Paulo César Baruk)

 

Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Vê-lo-ei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros; de saudade me desfalece o coração dentro de mim (Jó 19.25-27).

 

Esperarei no SENHOR, que esconde o seu rosto da casa de Jacó, e a ele aguardarei (Isaías 8.17).

 

Gile

Os braços curtos de um ser humano

Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos (Filipenses 3.7-11; grifo acrescido).

Sabe aquele gosto ruim? Aquele sentimento de impossibilidade e a sensação de que você é um fracassado? É mesmo a pior sensação do mundo!

Acredito que todas as pessoas que chegaram à idade adulta já provaram a derrota. Ninguém pode ter tudo o que deseja. E, às vezes, essa preciosa e verdadeira lição nos é ensinada da maneira mais dolorosa possível.

Um amor não correspondido, um concurso em que não fomos aprovados, um filho que não conseguimos ter, um emprego que apenas nos será em sonhos, uma renda que nunca estará em nossas contas bancárias, alguém que se foi para o além, o cônjuge que se foi e não voltará.

Ah, as coisas que perdemos e aquelas que nunca teremos!

É doloroso desejar o inalcançável. Mais doloroso é ver que aquilo que nos é custoso alcançar (e que, mesmo assim, não possuímos) é, para tantos outros, atingível ao estalar de seus dedos.

Você já teve aquela sensação do tipo “todo mundo consegue, apenas eu não”?

Todo mundo vai bem em matemática, apenas eu não. Tudo mundo consegue uma promoção no trabalho, apenas eu não. Todo mundo consegue um cônjuge amável e compreensível, apenas eu não. Todos se casam, apenas eu não.

Todos conseguem ser aprovados no vestibular, ter aquele conversível vermelho, um amor correspondido, uma conta bancária recheada de zeros, montar um cubo mágico… enfim, nomeie aquilo que você não consegue ter. Melhor, faça uma lista daquilo que não pode ter. As circunstâncias repetem insistentemente: você quer algo e vai ficar querendo.

Oh, Deus! Isso não é justo! – gememos a um Deus que compreende nossa frustração.

Ele teve amigos infiéis. Uma família que o desprezou como messias (que de fato Ele era). Nunca se casou, não teve filhos nem um conversível vermelho na garagem de sua humilde casa (provavelmente emprestada) em Cafarnaum. Segundo a Escritura, Jesus não era nem mesmo o que chamaríamos de “típico classe média do subúrbio”. Ele era um pouco menos do que isso:

Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça (Mateus 8.20; grifo acrescido).

 

Disse mais o SENHOR a Moisés: Fala aos filhos de Israel: Se uma mulher conceber e tiver um menino, será imunda sete dias; como nos dias da sua menstruação, será imunda. Mas, se as suas posses não lhe permitirem trazer um cordeiro, tomará, então, duas rolas ou dois pombinhos, um para o holocausto e o outro para a oferta pelo pecado; assim, o sacerdote fará expiação pela mulher, e será limpa (Levítico 12.1-2,8; grifo acrescido);

e:

Completados oito dias para ser circuncidado o menino, deram-lhe o nome de JESUS, como lhe chamara o anjo, antes de ser concebido. Passados os dias da purificação deles segundo a Lei de Moisés, levaram-no a Jerusalém para o apresentarem ao Senhor, conforme o que está escrito na Lei do Senhor: Todo primogênito ao Senhor será consagrado; e para oferecer um sacrifício, segundo o que está escrito na referida Lei: Um par de rolas ou dois pombinhos (Lucas 2.21-24; grifo acrescido).

Ele entende sua frustração. Nosso problema, Ele diria, é que temos olhos que vêem mais longe do que nossos braços podem alcançar. Fomos afetados pela “síndrome dos braços curtos”.

Não há cura – dizem os especialistas – somente controle dos sintomas.

Você vai chorar mais alguns dias até que suas lágrimas sequem, então, vai chorar mais um pouco. A menos que compreenda que aquilo que não pode alcançar é um lembrete de Deus a respeito da imperfeição desta terra, jamais viverá satisfeito aqui. Deus não nos permite ter tudo o que almejamos a fim de nos lembrar que nossa morada permanente é estar junto a Ele:

Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também (João 14.1-3).

Você não pode ter um conversível aqui, mas viajará à velocidade da luz lá! Não terá seu amor correspondido aqui, mas terá todo o amor de Deus dentro e em volta de você lá. Tanto amor que lhe imergirá em uma atmosfera extraordinária de satisfação.

Não temos tudo o que queremos, aqui. Mas teremos mais do que jamais imaginamos, lá:

Sabemos que, se a nossa casa terrestre deste tabernáculo se desfizer, temos da parte de Deus um edifício, casa não feita por mãos, eterna, nos céus. E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial; se, todavia, formos encontrados vestidos e não nus. Pois, na verdade, os que estamos neste tabernáculo gememos angustiados, não por querermos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida. Ora, foi o próprio Deus quem nos preparou para isto, outorgando-nos o penhor do Espírito (2Coríntios 5.1-5; grifo acrescido).

Então, os braços curtos de um ser humano darão lugar à magnífica recompensa de Deus aos que lhe amaram mais do que tudo (inclusive do que aquilo que não alcançaram).

Arrume as malas, parece que a “síndrome dos braços curtos” terá cura!

 

Gile

Eterna primavera

 

Um eterno renovar:
novos anciãos,
novos pais e mães.
Novas pessoas a surgir,
um choro – não um lamento -
um novo fôlego,
um novo ser.

À imagem de Deus,
para amá-lo e segui-lo.
Para ser uma semente de Seu amor.
Seus frutos devem ser sempre doces;
seu aroma, agradável a Deus.
E, assim, no fim de seus dias,
quando próximo de sua partida estiver,
sua vida tenha sido um belo florescer
e uma eterna primavera para Deus.

 

Gile
24 de setembro de 2010

Vida interrompida

Fotografado por Jorrit van der Molen

 Ato I
Em glórias e erros,
chega a acrópole.
Como dias eternos,
o sol da primavera parece brilhar.
Em erros e glórias,
o castelo de cera começa a desmoronar.

Ato II
Vagando.
Recomeça, mais uma vez.
Quando pensa ter chegado ao fim,
descobre que sempre é possível
descer ainda mais.
Cansado de cada dia.
Cada segundo é um fardo,
embora não precise ser assim.
Contudo, ele – simplesmente – não o sabe.
Mais entulho, um novo começo.
História sem fim.
Armas, drogas, prazeres e dores.
A luz se apagou,
vida interrompida.
E seu nome lançado
no vazio do eterno esquecimento.

Ato III
Flashes e lágrimas.
O escuro é ofuscado pelo brilho das lentes.
Uma página, uma história.
Como tantas outras, a tragédia da vida real.
O lamento da vida desperdiçada
e a dor dos anos que não voltam mais.
Chegando à encruzilhada
a que suas próprias decisões o levaram,
o último passo:
vida interrompida.

 

Gile
27 de março de 2011

Um ponto no infinito

Fotografado por Kevin Deisher

 

Em uma noite triste e chuvosa,
todos os olhos contemplam a impotência.
Em sua nau, navega o corpo sem vida
pelos pensamentos,
a vasculhar as memórias
despertando vívidos sentimentos.
Uma gota de chuva, uma lágrima,
uma história além do infinito.

Navegando vai até a escuridão do azul.
Esta noite não o poderemos seguir.
Agora, estará só a velejar no desconhecido.

Um toque suave nos ombros do que chora.
Lágrimas regam a decepção,
que cresce além da interface das possibilidades
e ganha vida, cruelmente, na realidade.

Ele se foi, grandes foram seus feitos;
mas isso já não importa.
Porque – simplesmente – não está mais aqui.
Lembrem-se todos do futuro,
este será o nosso:
a nave dos silenciosos tripulantes.

Vede como vivei;
Vede um ponto no infinito.

 

Gile
9 de abril de 2011

Feliz Dia Novo!

Lá se foi outro, o estrépito envolto às vozes dos que comemoram. Ouvem-se gritos: Feliz dia novo!

Cumprimentos recíprocos em solenes atos de solidariedade. É um novo dia e uma celebração de novidade.

Não vemos essa cena todos os dias, apenas uma vez ao ano. Contudo, minha opinião é que deveríamos vê-la sempre. Por quê?

É a celebração do cotidiano. Os dias maus que passaram são, agora, passado. Novas experiências, esperanças e expectativas nos aguardam ao nascer do sol. Um novo dia, enfim. A noite se foi. Vigias noturnos, médicos plantonistas, operários do terceiro turno, entregadores de pizza e tantos outros estão agora satisfeitos; não apenas seus trabalhos, por hoje, terminaram (e finalmente podem ir para casa dormir!) mas um novo dia – trazendo consigo um quê de esperança – está prestes a nascer.

Viva o dia novo que surge! Recém nascido, como os chorosos bebês da maternidade.

Não reclame, não deseje permanecer na cama por mais algumas horas em uma inútil tentativa de fugir do dia que está prestes a surgir, apenas o salde com um salto alegre, desde sua cama, para viver este novo dia.

Uma razão para isso?

Não reclame, não deseje permanecer na cama por mais algumas horas em uma inútil tentativa de fugir do dia que está prestes a surgir, apenas o salde com um salto alegre, desde sua cama, para viver este novo dia.

Alguém o ofendeu hoje? Você foi acusado ou recriminado? Talvez você realmente tenha culpa; quiçá, tenha feito coisas hoje das quais se arrepende. Possivelmente este não tenha sido um bom dia. A boa notícia, entretanto, é que ele dura apenas 24 horas. Logo outro, surgirá levando – como as ondas do mar – as sujeiras deste dia chuvoso.

Se não temos a Deus, descemos lenta e gradualmente esta escada chamada vida. Um degrau por dia. Em algum momento, vamos acordar e nos dar conta de que chegamos ao ponto mais baixo. Talvez não no último degrau (esta é minha esperança para alguns de vocês), mas ainda a tempo de mudar as coisas. Talvez você, então, se perguntará – como foi que cheguei aqui? Como desci tão baixo?

Um degrau de cada vez. Um dia após o outro.

Como chegamos ao estado de conhecimento profundo sobre as pessoas? Andando com elas, passando tempo ao lado delas. Deus é pessoal, com Ele é assim também; por mais úteis e válidos que os ensinos de teologia (vindos dos livros ou dos seminários) possam ser, eles – per se – não nos podem fazer conhecer a Deus. Somente andando com Ele é que O conhecemos. Precisamos passar um tempo – todos os dias – com Ele, se queremos saber quem Ele é e o que tem a nos ensinar.

É assim quando temos caminhado com Deus. Ao andar com Ele, vivemos em novidade de vida. Assim, cada dia é um novo dia. Aprendemos com Ele que para sairmos de onde estamos e chegarmos aonde Ele quer que cheguemos só há uma forma: dar um passo a cada dia, vivendo um dia de cada vez.

Tenho certeza de que você ficará surpreso com tudo o que aprenderá com Ele. Porque há tantas coisas de que nos esquecemos e tantas outras que nem sabemos. Deus nos transmitirá todas elas, dia após dia.

Então, o que tenho a dizer a você é,

feliz dia novo!

 

Gile

Mostra-me a Tua glória

(escrito em 26 de julho de 2011)

Fotografado por Alexandre Torres

 

Rogo-te que me mostres a tua glória (Êxodo 33.18).

Moisés foi ousado, podemos dizer que ele tinha “contatos no céu”. Era alguém influente além das nuvens. Mais do que ser guiado por Deus, Moisés desejava conhecer a Deus mais do que tudo. Israel, entretanto, estava perdido no deserto. Era um povo rebelde, talvez o mais rebelde entre todos os povos da terra:

Porque povo rebelde é este, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a lei do SENHOR (Isaías 30.9);

 

Quanto a Israel, porém, diz: Todo dia estendi as mãos a um povo rebelde e contradizente (Romanos 10.21).

Em meio às maiores tragédias parece oportuno rogar a Deus? Sim, eu diria que sim. Quem não gostaria de enxergar a luz no fim do túnel? Quando tudo se apaga podemos ver uma luz. A glória de Deus resplandece mais do que qualquer luz. Ela é a mãe de todas as luzes!

Mostre-me a tua glória, desejou Moisés. Enquanto Israel queria segurança, prosperidade e chegar tranquilo a Canaã; seu líder desejava muito mais: “Rogo-te que me mostres a tua glória”.

Israel buscava o favor de Deus; Moisés, Sua presença. Diferentes anseios que revelam distintas índoles. Moisés desejava conhecer Deus mais do que tudo; Israel, porém, desejava apenas os dons de Deus.

Jesus deseja criar em nós o mesmo anseio que houve em Moisés:

Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também contigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo (João 17.24).

A extraordinária glória de Deus pode ser refletida por cada um de nós quando somos aquilo que Deus deseja que sejamos, conforme nos fez no Éden:

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gênesis 1.27).

Deus nos fez para a Sua (e não para nossa) glória:

A todos os que são chamados pelo meu nome, e os que fiz para a minha glória, e que formei, e fiz (Isaías 43.7).

Quando Deus Pai quis Se revelar à humanidade, o fez através de seu filho – Jesus:

Replicou-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta. Disse-lhe Jesus: Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me tendes conhecido? Quem vê a mim vê o Pai (João 14.8-9).

Lampejos da glória de Deus se acendem em um mundo de densas trevas, quando alguém decide seguir a Cristo e andar como Ele andou.

Somos espelhos de Deus, existimos para refletir Sua glória, e assim o fazemos quando obedecemos ao Senhor. Refletiremos bem a Deus à medida que formos moldados ao propósito dEle para nós, sermos semelhantes ao seu filho, Jesus:

Ora, como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele (Colossenses 2.6);

 

Aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar como ele andou (1João 1.6).

Onde houver um discípulo de Jesus, aí existirá um lampejo de Sua glória, fulgurando alegremente em meio a um mundo de trevas densas.

Que ao orar – hoje – você se esqueça momentaneamente de seus desejos de saúde, prosperidade e segurança. Como Moisés, apenas peça sincera e ansiosamente: rogo-te que me mostres a tua glória!

 

Gile

Meu lugar

Fotografado por Mike King

 

Você acorda,
e o dia está frio e nublado lá fora.
O sol se escondeu atrás das nuvens.
O que nos reserva o dia, agora?
Você se pergunta,
qual destino?
meu caminho?
qual futuro?

Caminha entre as gentes,
no gélido mundo de agora.
O frio e a neblina te confundem,
sufocam.
São tantas vozes,
tantas pessoas,
vários futuros.
Por que caminhar entre a neve lá fora?
Seus pés frios,
seu coração não suporta o silêncio das ruas.
E, agora?
Qual rumo lá fora?

Mas, se passar perto de uma canção,
em teu coração,
canta assim:
Alvo serei se em Ti me achegar.
Me aconchegarei,
poderei repousar de meus rumos.
Meus conflitos deixo em Teu altar.
Encontrei meu lugar.
Agora, sossegarei.

A neve cai lá fora,
mas aqui, em meu coração,
brilha a luz de Jesus.
Tua morte, Tua cruz; minha luz.
Minha razão de viver,
meu novo nascer.
Me aconchegarei,
poderei repousar de meus rumos.
Meus conflitos deixo em Teu altar.
Encontrei meu lugar.

 

Gile
22 de outubro de 2010.

Folhas que caem

Fotografado por Gae La Rocca

 

Pessoas em um mundo,
Cactos em um deserto,
Ruínas da vida em terra árida – solidão.
Pessoas, egoísmo – decepção.
Cactos têm espinhos, ferem, doem.
Pessoas são pontiagudas, fazem sofrer – dores.

Cada dia no deserto é como uma eternidade.
Nada acontece, tudo muda, todos estão acostumados a sua rudeza.
No mundo, como mudo, todos vagueiam.
Nada muda, nada é igual, porém indiferente.
Como pode ser assim? Ninguém nunca ouviu estes gritos.

Um deserto, pessoas.
Uma vida, cactos.
Rudeza, aspereza.
Solícita solidão.
Um caixão e tudo acaba.
E quando elas caem, as folhas,
sentimos a falta que seus frutos nos fazem.
Ao vê-las no chão, quão vazio está nosso coração.

Até quando será o outono?
Até que brilhe o sol da justiça.
Assim como há estação em que folhas caem,
Horas há, incertas, em que vidas são ceifadas.
Vidas que se vão.
Folhas que caem.
As folhas não conhecem seu tempo.
O homem, o seu caminho.
Pessoas, folhas, caminhos e quedas,
Tudo são folhas que caem.

 

Gile
4 de setembro de 2009.

Felizmente triste

(Eclesiastes 7.2-4; Lucas 21.17-19; Romanos 5.3-5; 2Coríntios 4.7-10; Hebreus 10.32-36; Tiago 1.2-4; Apocalipse 2.2-3, 14.12) 

Sim, eu fui triste.
Chorando ao sorrir,
Lamentando o sol,
Vendo a dor face a face,
Dei as mãos à solidão,
Vi a chuva em pleno sol.

Sim, eu fui feliz.
Sorri ao chorar,
Alegrei-me ao ver a noite,
Só, tive tantos amigos.
Na tristeza tive paz,
Na dor estive satisfeito,
Na angústia encontrei sabedoria.
Em cada lágrima, lamento e dor
fui o mais feliz;
Sempre triste, mas feliz!

 

Gile
02 de agosto de 2011

Culto ou show?

(escrito em 31 de dezembro de 2010)

Acima, um bom exemplo do dualismo vivido nos nossos dias: à esquerda, um culto bíblico com exposição simples da Palavra de Deus; à direita, um show gospel do grupo Hillsong Austrália, ao estilo de bandas de rock seculares.

Estamos em um impasse: mega-igreja – superficial, artificial, plástica e impessoal – versus “igreja tradicional” – congregações que defendem o Evangelho simples e comprometido com Deus, expondo uma vida santa ao mundo caído.

Desde o início da Igreja, temos aprendido que Deus requer de nós compromisso. Não podemos andar com Ele até que façamos Sua vontade. Somos ensinados a respeito da autonegação, da dor e sofrimento que acompanham, naturalmente, a vida do cristão sincero (Deuteronômio 10.12-13; Miquéias 6.12; Lucas 9.23; João 16.33; 2Coríntios 1.5-7; 2Timóteo 2.3, 3.12, 4.5; Hebreus 10.32; 1Pedro 4.12-14).

A mega-igreja nos ensina que o cristianismo é um mar de rosas sem espinhos, que seguir a Jesus é divertido. Ela compete com o mundo não por oferecer o oposto do que ele oferta, mas porque apresenta às pessoas justamente o mesmo – contudo, reembalado com um selo “Deus é fiel”. Ela abraçou as doutrinas do perigoso Movimento da Fé, de fato, ela tanto tem andado de mãos dadas com os “mestres da fé” quanto tem abraçado os movimentos Emergente e Ecumênico. Ela se tem aliado a todos os movimentos populares, enquanto dá as costas para o movimento do Espírito entre nós; talvez, porque ele seja tão impopular!

Muitas pessoas vêem a doutrina descomprometida da mega-igreja como algo inofensivo. Contudo, a Bíblia nos alerta que não o é:

O Pai, que me enviou, esse mesmo é que tem dado testemunho de mim. Jamais tendes ouvido a sua voz, nem visto a sua forma. Também não tendes a sua palavra permanente em vós, porque não credes naquele a quem ele enviou. Examinai as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim (João 5.37-39; grifo acrescido);

Vós corríeis bem; quem vos impediu de continuardes a obedecer à verdade? Esta persuasão não vem daquele que vos chama. Um pouco de fermento leveda toda a massa. Confio de vós, no Senhor, que não alimentareis nenhum outro sentimento; mas aquele que vos perturba, seja ele quem for, sofrerá a condenação (Gálatas 5.7-11; grifo acrescido).

Esta forma distorcida de fé suprime pontos essenciais da fé bíblica - como santificação (sem a qual ninguém verá a Deus!, Hebreus 12.14), comunhão, simplicidade, sinceridade, espiritualidade biblicamente validada. E as tem substituído por uma forma plástica e superficial de fé, algo ao estilo pão e circo. Na verdade, uma adaptação muito bem articulada e encenada de entretenimento religioso.

Sejamos sóbrios e relembremos que a fé não existe para nos entreter, mas para nos ensinar a verdade e a comunhão com Deus, relacionamento este que perdemos ao cair em nossos pecados:

Disse, pois, Jesus aos judeus que haviam crido nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8.31-32); Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos e qual a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder (Efésios 1,17-19; grifo acrescido).

Assim; caso queiramos ter uma fé bíblica, saudável e profunda, devemos realizar algumas sérias mudanças de volta ao Evangelho bíblico (e simples!, 1Coríntios 15.2): as luzes coloridas dos palcos são dispensáveis; os gritos típicos de shows de rock and roll têm de ser descartados; os aplausos (pelos quais os homens caídos e eucêntricos são viciados) precisam ser, inexoravelmente, suprimidos; o som estridente das canções pop gospel (e que, obviamente, não possui nada da reverência exigida por Deus àqueles que dEle se aproximam; Êxodo 3.5) necessita ser eliminado de nosso meio.

Somos chamados a ser luz neste mundo de trevas, contudo não o temos sido porque nossa visão tem sido ofuscada pelas luzes coloridas dos palcos esfumaçados.

Nossos cultos precisam voltar a refletir adoração bíblica, sóbria, espiritual e simples. Devemos entender que este retorno não é ao passado, e sim à Bíblia.

A vida de comunidades que abraçam o pseudoevangelho entretenedor são drástica e, temo, permanentemente esfriadas. O amor a Cristo se transforma em amor à música; aos shows gospel; aos grupos de paroladores musicais evangélicos; aos aplausos, risos e entretenimento frívolo que se instalou entre nós.

 Não foi assim que a Igreja nasceu e não será assim que ela avançará. Este trajeto largo não nos levará a outro lugar, senão à encosta escorregadia do mundanismo religioso.

Toda essa fé-show tem esfriado nossos corações, produzido uma irreverência detestável, uma crescente expulsão do necessário temor a Deus, de todo respeito e sinceridade a Deus – que são tão necessários à vida espiritual – em nossos corações.

Esses são os amargos frutos do evangelho que entretém. Isso é o que acontece quando nos esquecemos da advertência bíblica:

Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus (Tiago 4.4).

Desistamos dele enquanto podemos, antes que sejamos religiosos tão mundanos quanto o mundo!

Não ao show de luzes, sim a mudança de vida que louva a Deus! (e somente a Ele),

amém!

 

Gile

Carta aos sofredores

Fotografado por Ciro Spataro

 

Ela estava ali, sentada nos degraus da escada.
O que ela está fazendo?
O que tanto aguarda?
Será a felicidade?
Virá cavalgando por entre os espinhos, porta adentro, será um dia feliz!
Sonhe minha amiga, sonhe.
Sonhar é bom, é como o analgésico do doloroso paciente terminal.
Na alma, é como opióide

Quem vai contar a ela que tudo acabou?
Agora, já é tarde, é melhor entrar, recolha suas lembranças!
Não, minhas dores deixarei aqui fora!
Ninguém poderia dizer que não era corajosa, pena que já era tarde.
Entre, por favor!
Ela não quis entrar, e já era tarde, então, chegou o fim.
Ah, que grande dor!
Nada há no mundo que cure a dor da alma,
Nem os mais rápidos relógios são capazes.
E dizem que o tempo cura tudo, ledo engano!
Ele não pode tudo, pode muito pouco!

Maldita voz que não se cala, mande-a parar!
Mas ela não pára.
Diga ao mundo que a vida foi triste,
Mas, ao fim, foi boa.
Diga a eles que fiz o que pude.
Pena, não foi o suficiente.
Aos sofridos, meus sentimentos.

 

Gile
13 de Maio de 2010

A espera

(escrito em 27 de janeiro de 2011)

Da janela de sua casa, questiona:

- Você pode me ouvir?

Seus olhos abrem, uma luz fosca o desperta de seu profundo e restaurador sono. Abre a janela e vê o dia nublado e turvo pela neblina. Os carros e as pessoas que não param de se mover o deixam nauseado.

Olha ao redor e não há nada lá. Será?

Esforça-se para ouvir, entretanto ouve apenas o som de sempre – buzinas, conversas – os ruídos da cidade em movimento.

A questão não é o que ele vê, contudo o que não vê.

Alguém ao pé da cama espera ansiosamente para conversar. Quer ouvir sua voz, dúvidas, dores. Quer que compartilhe seu coração.

“Vamos lá, você consegue, não é tão difícil assim! Se você precisar, eu te ajudo” – sussurra com esperança.

Ele, então, toma seu banho. Pega as chaves do carro e vai ao trabalho.

A ansiosa espera prossegue. Quando ele ouvirá?

Telefones e pessoas. O som estressante dos negócios. Em um mundo monetário ninguém sobrevive sem dinheiro. Então, eis aqui o cego mais surdo do mundo.

Ele trabalha aqui há algum tempo, nem ele sabe, exatamente, a quanto.

“Preciso que prepare o relatório para a reunião de amanhã, quero em cima da minha mesa até o fim do expediente”.

Será mais um dia preso em sua sala: escreve, lê, calcula. Mergulha fundo em um mar de números e letras.

O que eles significam? Mais um dia fechado para o mundo.

Ele não pensa no que realmente é importante, porque – simplesmente – não tem tempo.

Após mais um dia cansativo, tudo o que deseja é chegar em casa. Outro banho e mais silêncio.

Deus ainda está ali. Esperando ouvir sua voz. Será que um dia Ele irá ouvi-lo?

Será que Ele ouvirá a sua voz, caro leitor?

 

Gile

Quantidade ou qualidade?

(escrito em abril de 2010)

Bem, o que nós sentimos quando ouvimos Jesus dizer algo assim: “Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela), porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela” (Mt. 7.13,14; grifo acrescido)?

Como nós reagimos diante de tal declaração? Alguns de nós ficam chocados, eu diria que a maioria. E o que dizer destas palavras: “Às vista disso, muitos dos seus discípulos o abandonaram e já não andavam com ele. Então, perguntou Jesus aos doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos” (Jo 6.66,67; grifo acrescido)? Impressionante! Jesus não voltou atrás no que havia escandalizado os demais, nem tentou abrandar suas declarações. Ele simplesmente perguntou: “Vocês também querem me deixar? Fiquem à vontade para fazê-lo!”

É simplesmente impressionante, e o é por um simples fato: é exatamente o oposto do que fazemos quando estamos compartilhando o amor de Deus com os outros. Ele dá aos outros a oportunidade de sair enquanto nós tentamos arrastá-los para dentro, por quê? Porque temos objetivos diferentes. Jesus queria discípulos de coração comprometido, aberto e entregue; já, nós, queremos muitos discípulos, apenas um monte deles. Jesus visa à qualidade e nós a quantidade.

Nossa visão se tornou distorcida pelo marketing capitalista, não enxergamos mais a qualidade. Tudo o que vemos são os números, gráficos de almas que devem ser, inexoravelmente, crescentes.

Esquecemo-nos do filtro “se”: “Se alguém quer vir após mim (…)” (Lc 9.23). Se, e somente se. Não deve ser uma imposição, não é uma obrigação, é uma possibilidade: “Se (…)”.

A qualidade do discípulo é o que importa, e não o número deles. Não deveríamos ambicionar uma congregação lotada de pessoas, mas que todos os que ali estão tenham firme a convicção pela qual ali estão, e tenham seus corações depositados em Cristo.

Qualidade!

 

Gile

Salto sobre o abismo

(escrito em 6 de fevereiro de 2010)

Fotografado por Maciej Dakowicz

Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo (Filipenses 3.20).

 

“Papai, tenho fome”, este foi o grito de 4 mil crianças em um campo de refugiados em Bangcoc, Tailândia, décadas atrás, por ocasião da guerra na Indochina. A guerra produz milhares de famintos, órfãos e mortos. E mesmo períodos de paz não podem ser considerados momentos de tranqüilidade absoluta. Há pessoas sofrendo não nos campos de refugiados, mas no recôndito de seus quartos e corações, às vezes, um sorriso, meramente social, brota na face cujo coração chora – aparências, o mundo vive disso!

Contudo, um mero sorriso não significa felicidade. Se pudermos ver o mundo que nos cerca com lentes espirituais, se pudermos enxergar além das aparências enevoadas dos apelos deste mundo, poderemos vislumbrar a enorme miséria que há. Habitando em palácios ou em favelas, há pessoas cujos anseios ainda não foram satisfeitos. Palácios ou uma vida simples não nos fatisfazem, somos habitantes distantes da presença de Deus, somos como Judá e Israel no período ante-exílico, temos ouvidos e não ouvimos; olhos e não vemos (Isaías 43.8).

“Papai, tenho fome” – é o grito silencioso da alma perdida de cada ser humano na face da terra.

Tenho fome.

Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que vem a mim jamais terá sede (João 6.35; grifo acrescido).

Jamais – é uma grande promessa.

Nosso mundo, um abismo; nossa cura, Jesus. Há uma pátria, um lugar que ainda não pudemos ver, mas que é real, muito mais do que esta terra horrenda. E está aguardando ao que for a Cristo, Ele disse, “o que vem a mim”. Os que forem a Ele nunca mais dirão: “Papai, tenho fome”. Ele é nosso pão e nossa pátria para sempre.

Amém.

 

Gile

A mais fantástica declaração da Bíblia

(escrito em 1 de abril de 2011)

Fotografado por Shelby Brakken

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3.16).

Sem sombra de dúvida essa é a mais bela declaração de amor de que se tem notícia. E isso a própria Escritura nos garante:

Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos (João 15.13).

É notável que Cristo não tenha dito “Deus amou aos ricos”, “Deus amou aos populares” ou “Deus amou aos bonitos” (se Ele tivesse feito essas declarações – principalmente a última – eu estaria perdido eternamente!). Não! Ele afirmou: “Deus amou ao mundo”. Ele não elegeu os pobres, os populares, os ricos ou os inteligentes. Ele decidiu amar ao mundo todo. Eu estou no mundo, você também está, então estamos incluídos no amor de Deus. Isso não é fabuloso?! Você pode ter a absoluta certeza de que Deus o ama, porque Cristo o disse.

O segundo fato marcante na afirmação de Jesus é que Deus amou o mundo o suficiente para enviar seu Filho a morrer por ele. Não se esqueça de que estamos falando de um mundo corrompido. Referimo-nos a um mundo caído, cheio de mentirosos, assassinos, traidores, invejosos, prostitutas, bêbados; sim, a estes Deus amou inigualavelmente.

Quão grande e insondável é o amor de Deus! Jamais lhe perscrutaremos. E Deus enviou o Seu amado Filho, Jesus, para morrer pelos habitantes indignos deste mundo. Ele morreu por pecadores, isso eu simplesmente não posso compreender. Paulo afirma: “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8).

Veja, Deus sabia que éramos pecadores, e mais, conhecia o resultado que nossos pecados nos trariam. Assim, enviou o Seu Filho para nos livrar de nosso terrível destino – a eterna separação de Deus no lago de fogo.

Amou-nos suficientemente para fazer algo a respeito de nossa lamentável situação. Você consegue ver um importante conceito escondido aqui? Eu lhe direi então: amor é mais do que um sentimento, é uma atitude. Tiago procura expressar isso quando diz:

Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras  (Tiago 2.18).

Pode não parecer que ele esteja tentando dizer isso, mas, se compararmos ao relato de João sobre o que significa estar em Cristo, compreenderemos a declaração de Tiago:

E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele (João 4.16). (…) Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados  (João 5.3).

Deus nos amou o suficiente para fazer por nós o que era necessário a fim de que estivéssemos, novamente, em comunhão com Ele. Você ama ao seu próximo? Você já lhe falou de Cristo? Jesus fez a parte mais difícil: morreu por Eles. Nós só temos que falar e, ainda assim, falhamos. Peçamos, pois, a Deus que nos dê mais de Seu perfeito amor.

Gile

Novos pensamentos

Fé não é apenas confiar em Deus. Mas viver de acordo com essa confiança (Gile).

 

Se você não conseguir um milagre, torne-se um (Nick Vujicic).

 

Adoração é quando você deixa de se concentrar em si mesmo para olhar apenas para Deus, e as pessoas ao seu redor se juntam a você para fazer o mesmo (Gile).

 

Esperar a intervenção de Deus é um exercício de fé. Quando você espera, demonstra que confia nEle (Gile).

 

O reino de Deus está fundamentado em Deus e no que Ele está realizando naqueles que o seguem. Assim, ele não tem nada a ver com paredes de tijolos em uma grande construção, também não possui vínculo algum com instituição qualquer. Ele está baseado em pessoas (Gile).

 

Quando você consegue ver a miséria do mundo que nos cerca, fica muito mais fácil desprender-se dele, amar e desejar o céu (Gile).

 

Lamentavelmente, um dos maiores entraves ao avanço do corpo de Cristo, nesta hora final, tem sido a religião institucionalizada (Gile).

 

Quando afirmamos que Cristo morreu pelos nossos pecados e que somos salvos, exclusivamente, pela graça de Deus mediante a fé, estamos afirmando categórica e absolutamente: não temos mérito algum (Gile).

 

A pecaminosidade humana se define no fato de que, segundo o padrão absoluto de Deus, o meu melhor ainda é muito ruim (Gile).

 

Muitas pessoas têm medo da Bíblia, porque para a maioria das pessoas a verdade é assustadora (Gile).

 

Fé é um canal de confiança em (e com) Deus. Mediante ela, permitimos a soberania de Deus em nossas vidas. Ela é a suficiente prova que nos dá segurança – Deus é verdadeiro, o que ele diz é a verdade, eu creio e isso me é suficiente. Ainda assim, fé não é um salto na escuridão. Entretanto, a luz que se acende em meio às trevas. Nós podemos explicá-la usando palavras; mas não, compreendê-la através das letras. Pois fé é, acima de tudo, algo experimental (Gile).

 

Algumas das pessoas mais inteligentes que já conheci nunca foram à universidade; aliás, muitas delas sequer terminaram o colegial. Em contrapartida, algumas das mais tolas pessoas que conheci são intelectuais fanáticas. Alguém, certamente, irá questionar: ‘Gile, você está dizendo que todos os cristãos que vão à universidade ou que se dedicam à vida acadêmica se tornam descrentes e rebeldes?’. Não, eu estou apenas afirmando que há – indubitavelmente – uma grande tendência a que um cristão sincero, em um ambiente hostil a Deus (leia-se universitário), termine por trocar (mesmo que parcialmente) a absoluta sabedoria de Deus revelada na Escritura pela tolice, falsamente denominada de sabedoria, dos homens (Gile).

No início do século passado, houve um grupo de pessoas que buscavam uma intimidade maior com Deus. Numa igreja humilde, na Rua Azuza, em Los Angeles, um grupo de pessoas se abriu para o que fosse, buscando uma intimidade maior com Deus. O que nasceu lá foi nada menos que um movimento que cercou o mundo e se tornou a força evangelizadora mais poderosa do século XX. Em meio a manifestações legítimas, houve excessos. Não há dúvidas quanto a isso[1] (Walter McAlister).


[1]  MCALISTER, Walter. Pentecostais me assustam. Púlpito Cristão, jun. 2012. Disponível em: <http://www.pulpitocristao.com/2012/06/pentecostais-me-assustam/>. Acesso em 25  jun. de 2012.

À maneira de Deus

(escrito em 15 de maio de 2010)

Fotografado por Rob Poole

Uma das coisas mais fáceis de se fazer, hoje em dia, é saber como fazer as coisas. Há tutorias sobre, praticamente, tudo na internet. Algumas receitas têm até variações – à francesa, à italiana.

- Como eu instalo isso?

Alguém corre para o computador e logo se ouve um grito:

- Ah, já sei!

Adoráveis facilidades da vida moderna!

Entretanto, alguns fatos da vida permanecem sem tutoriais na internet – sentimentos, por exemplo. É, a internet resolve quase tudo.

Contudo, não se desespere, há um outro lugar onde encontramos um tutorial – desta vez, confiável – a respeito dos sentimentos. Não é tão recente quanto a internet. Não há anúncios no canto do vídeo nem vírus à solta!

Refiro-me ao livro mais vendido do mundo, a Bíblia. Deus nos diz como lidar com todas – e, desta vez, é todas mesmo – as situações da vida. Dias difíceis, há uma resposta; dias alegres, uma sugestão.

Chamo isso de viver à maneira de Deus.

Não é ótimo ter segurança em sua própria casa? Nós temos circuitos internos de câmeras, cercas elétricas, sensores de movimento, vigias, vizinhas fofoqueiras (ops!). Enfim, todo tipo de parafernálias e indivíduos prontos para nos proteger ao sinal de qualquer fato suspeito.

Deus faz o mesmo através de Sua Palavra. Viver à maneira de Deus trará segurança ao seu caminho. Porque você estará seguro de que está trilhando na melhor direção, afinal de contas, quem lhe instruiu foi aquele que sabe todas as coisas!

Então, separe alguns minutos do seu dia para falar com o Criador do universo, tenho certeza de que Ele está esperando por suas palavras; abra Sua carta de amor – a Bíblia – gaste alguns minutos debruçado sobre suas páginas e surpreenda-se com tudo o que pode aprender com ela.

Ah, e passe menos tempo na TV e internet. Pois menos tempo nelas, será mais tempo em outros lugares, como a presença de Deus!

 

Gile

Vivendo como os mortos

(escrito em 24 de janeiro de 2011)

Fotografado por Darrin Wassom

Vamos fazer uma suposição: suponha que você é um zumbi – um morto-vivo. Você come carne em estado de decomposição, inicia suas andanças após o anoitecer, vaga pelas ruas escuras e desertas, adora cemitérios porque lá estão muitos dos seus amigos (na verdade, todos!). Você não tem vida nenhuma em si mesmo, mas não sabe disso.

Um dia, está no supermercado com sua veste maltrapilha, sua carne podre e fétida e alguém vem até você e diz:

- Amigo, com licença, você está morto!

- Óh, não! Acho que você está enganado!

- Não, você é que está. Veja sua pele, está em estado de putrefação. Ela cheira mal – como morta. Seu hálito é horrível! Sua freqüência cardíaca é zero. Não há nenhum sinal de atividade cerebral. Tecnicamente, isso é estar morto.

- Como você pode saber que eu estou morto?

- Ora, porque ESTOU VIVO!

Um morto, que sempre esteve morto – alguém que somente conhece o gosto da carne podre, o cheiro da matéria em decomposição, a existência à margem da vida, o vagar sem rumo pelas trevas – jamais reconhecerá a vida, pelo simples fato de nunca a ter provado.

Assim, muitos estão mortos sem reconhecer esse triste fato:

Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais (Efésios 2.1-3; grifo acrescido).

Tenho uma notícia funesta para lhe dar: preparem as coroas de flores, liguem para a funerária, contatem os amigos – porque você está morto!

O que significa, nesse sentido, estar morto?

Estar afastado de Deus através da barreira imposta pelo pecado – sendo este “as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos” (Isaías 59.2,3,7-10). Em outras palavras, é o espírito auto-suficiente (o que o apóstolo João chama de “a soberba da vida” em 1João 2.16) que diz “EU faço o que EU quero e EU determino o que é certo ou errado”.

É a atitude ingênua que transforma os mortos em juízes da verdade. Obviamente, os mortos não são o que eu chamaria de PhDs em questões de certo e errado. Mortos apenas morrem, eles ficam lá… mortos! Eles não vão a lugar algum, eles não sabem nada!

porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma (Eclesiastes 9.10).

Em questões espirituais o mesmo princípio é válido. Se você está morto, não tente encontrar, por si só, o caminho. Nunca seja arrogante ao ponto de achar que pode chegar a conclusões a respeito de temas existenciais e de moral. Jamais pense: “se eu me sinto bem fazendo isso; então, isso é certo”.

Errado!

Você está morto, mortos não pensam! Deixam essas questões sérias para os vivos:

Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar, nos séculos vindouros, a suprema riqueza da sua graça, em bondade para conosco, em Cristo Jesus. Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie (Efésios 2.4-9; grifo acrescido).

Deus. É Ele quem dá vida. Ele determina toda a vida. A própria vida pertence a Ele, pois é Sua criação. Quantas pessoas podem se gabar de terem criado a vida?

NINGUÉM. Exceto Deus!

Se você não se dobrar perante o Deus vivo, permanecerá morto – tão morto como o zumbi no supermercado!

 

Gile

Verdade assustadora

(escrito em 25 de junho de 2010)

Fotografado por Hasan Bilgehan

 Desta vez vou começar com um pensamento, é um pensamento meu:

Muitas pessoas têm medo da Bíblia, porque para a maioria das pessoas a verdade é assustadora.

E eu não me excluo desse grupo. Assim como para todas as outras pessoas, a verdade muitas vezes é assustadora para mim. Existem muitas razões que explicam isso. Às vezes, não queremos ouvir que estamos errados, ou é desagradável perceber que aquilo a que nos apegamos por tanto tempo nunca passou de uma ilusão. Quem quer ouvir que suas convicções, aquilo a que se agarrou como um náufrago apega-se a um objeto para flutuar na imensidão azul, era apenas uma mentira – ou não necessariamente uma mentira, mas uma verdade que, simplesmente, não nos justifica.

Minha impressão é que passamos por fases quando ouvimos a verdade. Primeiro é o momento do despertar – é como se despertássemos de um sonho perfeito para uma realidade cruel. Mas, de qualquer forma, prefiro viver uma realidade cruel do que um sonho, seja ele qual for.

O segundo momento é a tentativa de regressar ao sonho. Você tenta voltar a sonhar, embora saiba que não é mais possível fazê-lo, depois que você houve a verdade, nunca mais será igual. Sempre saberá, de alguma forma, que os seus sonhos são apenas sonhos. Parece estranho, eu sei!

A terceira fase é decisiva, é agora que você decide se vai abrir seu coração e aceitar humildemente aquela verdade ou vai viver um sonho consciente para o resto da vida. Aqui é onde a realidade se torna viva. Não aquilo que vemos, entretanto a realidade do invisível:

não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas  (2Coríntios 4.18).

E não estamos falando de qualquer verdade. Falamos sobre A Verdade. A que pode mudar tudo em nossas vidas. A Bíblia contém uma mensagem única ao longo das épocas. É a mesma mensagem sendo tecida através dos povos, anos e situações. Podemos ver o desenrolar da graça a cada virada de página. Deus busca homens perdidos, contudo arrependidos de seus erros. Deus quer perdoá-los, Ele os quer salvar. E só o fará através dA Verdade. E ela se chama Jesus.

A Escritura nos fala a respeito de coisas que não podemos ver. Contudo, nem por isso deixam de ser reais. O apóstolo Paulo vai além, sob a inspiração do Espírito Santo, mais duradouras são as coisas que se não vêem, disse-nos ele.

Ninguém jamais viu o amor, contudo ninguém tem dúvida de que ele existe. Ninguém vê o amor, porém apenas as obras dele. Nós podemos ver o amor em ação quando vemos alguém agir com amor ou impulsionado pelo amor.

Você nunca viu Jesus, eu também nunca O vi. Mas eu sei que Ele é real. Por quê?

Porque eu posso senti-lo. Posso sentir seu cuidado amoroso sempre presente. Você também pode sentir. Vamos lá, use seus sentidos!

Quando você acorda, o que faz você chegar à cozinha com as canelas intactas?

Sua visão.

E quem não pode ver?

Usa o tato.

Você sabe quando a brisa sopra sobre você, porque sente em sua pele o refrigério do vento suave. Deus faz o mesmo em sua alma. Deixe Ele refrigerar sua alma.

A Escritura tornar-se-á real para você conforme você a praticar. Quanto mais você a conhece e a vive mais ela se torna viva em você, na sua vida. E assim, você saberá que ela é a verdade. É assustador no começo, entretanto, se você tomar a decisão correta em relação a ela, tenha certeza de que os frutos que serão produzidos serão duradouros – tão duradouros como as verdades contidas nas suas sagradas páginas.

É para você. É eterno. É poderosamente assustador!

Gile

Amantes de si mesmos

(escrito em 3 de novembro de 2010)

Uma das coisas mais fantásticas que descobri nos últimos dias é que a idolatria é algo coletivo. Até mesmo os que se autodeclaram ateus são idólatras. Porque mesmo afirmando não crer em um deus, cultuam um deus – o eu.

Ele é de longe o mais cultuado e pregado dentre todos os deuses. Jamais alguém o enfrentou que não tenha sido agredido. Jamais alguém tentou destruí-lo sem ter recebido em troca mil rótulos - como hipócrita, louco, fanático.

Indubitavelmente, o eu é o deus do momento. Está protegido em uma fortaleza de sentimentos, no recôndito do coração humano. Todos o adoram, poucos confessam fazê-lo.

O eu é o maior obstáculo que há para o indivíduo idólatra ver claramente a verdade. Enquanto está ali, escondido em seu culto interno a si mesmo, permanece alheio à realidade de Deus ao seu redor, pois segundo Davi:

Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até os confins do mundo (Salmo 19.1-4).

O mundo criado é uma expressão de seu criador!

Será que o idólatra não vê o pôr do sol? Será que não consegue enxergar a imensidão do mar ou as belas estrelas no firmamento?

Não, ele não pode ver. Por quê?

Porque ele não consegue ver nada além de si mesmo. A sua imagem no espelho é tudo o que ele vê. Ainda que haja tantas manifestações de Deus, e em tantos lugares (tantos quantos consigamos estar), ele somente pode ver o formato incômodo de seu próprio nariz.

Esse é o indivíduo idólatra, de que o mundo está saturado.

São “pessoas de bem”, que não querem fazer nada de mais. Apenas viver sua vida pacata e idólatra.

Tão importante quanto o que fazem é o que eles não fazem. Eles não honram a Deus. Nem poderiam, pois não há nada na sua lista de prioridades, senão o seu próprio nome.

E o mais sério a respeito é que muitos cristãos estão sendo contaminados por esse culto subjetivo e coletivo ao deus interior.

Muitos dos que se declaram seguidores de Cristo lhe estão desonrando ao se preocuparem mais com o seu próprio corpo do que com os muitos condenados deste mundo. Preferem investir seu dinheiro em cirurgia plástica estética (cultual eucêntrica) do que em aliviar o sofrimento espiritual e físico dos perdidos.

Eu lhe pergunto, em que Deus é honrado quando você corrige o formato de seus nariz? Em que Deus recebe glória quando você põe silicone? Como, esclareça-me, Deus receberá o louvor que lhe é devido quando você faz lipoaspiração?

E alguns agora estão pensando, por que Deus deveria ser honrado nisso? Por que Deus tem que ser honrado em todas as coisas na minha vida?

Ouça a resposta estrondosa:

Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus (1Coríntios 10.31).

Para quem você faz cirurgia plástica? Para si mesmo. Para o seu eu.

Deus é o centro da vida do cristão. É para Deus que ele vive, e segundo os padrões dEle:

Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém (Romanos 11.36);

Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram. E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou (2Coríntios 5.14-15);

Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho (Filipenses 1.20-21).

E alguns dentre nós são capazes de dizer, não é pecado cuidar da própria aparência. Não é pecado ter um bom carro e uma boa casa.

E eu lhe pergunto, em que Deus é honrado nisso? Como Deus receberá louvor pelo sucesso humano?

Em nada disso Deus é louvado.

E não pense que sou inimigo das riquezas, eu não sou. Mas creio que só há um tipo dela que pode ser biblicamente aceitável para um cristão: a que Deus dá, sem que o indivíduo a queira, peça ou busque.

Ouça este conselho: não faça nada na sua vida sem antes se fazer essa pergunta. Porque é essa questão que faz toda a diferença.

Que Deus nos guarde desse mundanismo dissimulado sob falsa bondade.

 

Gile

Eu escolho confiar no amor de Deus

(escrito em 8 de dezembro de 2010)

O que você irá fazer quando os dias se tornarem escuros, quando as trevas te envolverem? Quando a pessoa que jurou no altar com um sim, agora, diz não? Quando o médico diz – é incurável? Quando você perde aqueles que mais ama no mundo? O que você irá fazer?

Você pode abraçar sua dor e se prender a ela enquanto afunda neste mar de dor, ou pode escolher confiar no amor que Deus tem por você. Eu não sei quanto a você, mas eu escolho confiar em Deus. Porque ele sempre tem um plano.

Talvez, como Jó, você tenha perdido algo muito precioso. Ele – como alguns de nós – perdeu sua família, seus amigos, sua riqueza e sua saúde. Alguém até poderia dizer (como sua esposa disse): não lhe sobrou nada, Jó. Não, caro amigo, ele ainda tem algo. Ele tem sua fé em Deus – e o Deus em quem ele põe sua fé. Jó não pôde escolher se manteria seus filhos e amigos junto a si; não foi para ele uma opção manter as riquezas, nem mesmo lhe permitiram decidir se permaneceria sadio. Tudo lhe foi tirado, sem possibilidade de optar, algo maior decidiu tudo isso por ele - Deus. Mas ainda sobre algo Jó poderia decidir, e isso era o mais importante: ele manteria sua fé em Deus e avançaria até um brilhante xeque-mate sobre o tabuleiro em que Deus e o diabo disputavam, ou renunciaria à única coisa que lhe mantinha vivo e íntegro – sua fé.

Você, como ele, não pôde decidir se seu cônjuge permaneceria ao seu lado; às vezes, não conseguimos, por mais que queiramos, vencer a batalha contra as doenças e - em diversas oportunidades - perdemos nossos bens mesmo fazendo tudo certo. Não podemos decidir sobre isso. Mas ainda decidimos se vamos nos deixar vencer pela voz da esposa de Jó (“Ainda conservas a tua integridade? Amaldiçoa a Deus e morre” – Jó 2.9) ou se, como ele, confiaremos naquele que morreu por nós. Que, como Jó, possamos dizer em meio às dolorosas lágrimas: “Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19.25).

Para Jó não importava estar só, em miséria e adoecido. O único objeto de sua visão era a glória permanente de seu redentor. Eu sei que Ele vive, disse Jó. Você sabia disso? A tumba escura e fria não impediu nosso Redentor de resplander ante o sol daquele novo dia. Ele vive (Mateus 28.5-7)! E porque Ele vive, você (como Jó) tem uma esperança: “Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus” (Jó 19.26).

É a sua escolha: esperar pelo fim da tormenta ou submergir em meio ao temporal em alto mar.

Deus tem um propósito em todas as coisas. Você realmente precisa saber que Ele te ama, e tem um propósito em cada dor; cada lágrima, creia, não é em vão. Ele as recolhe e com elas rega sua vida.

Entenda que Deus nos pôs aqui por um propósito, e ele está ocorrendo neste exato momento. Quando você diz – não faz sentido – Deus responde, já está fazendo sentido. Deus não apenas está realizando algo em nós, mas através de nós. Você e toda sua dor são o meio pelo qual Ele escolheu ser glorificado nestes dias. Outros estão observando sua vida e, por meio dela, estão sendo atraídos a Cristo ou fortalecidos em Seu precioso amor. Ele está produzindo em você o que lhe é necessário. Eu estou transformando você e os que estão ao seu redor naquilo que, desejo, sejam – diz Deus.

Quando tudo disser não, escolha crer. Confie no amor de Deus, porque não há nenhuma razão para desconfiar dEle. Ele já provou que te ama. Você não precisa entender porque estas coisas estão acontecendo, só precisa entender que Ele o ama.

Querido, saiba que Deus te ama mesmo em meio as maiores dores. Eu sei que não é fácil acreditar que Deus te ama quando as coisas não estão dando certo, mas é exatamente nessas horas que mais precisamos desse amor. Nunca, nunca mesmo, esqueça que Deus ama você!

E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele (1João 4.16).

 

Sinceramente,

 

Gile

O amor se fez carne

O que é o amor?
O amor é o sol em uma manhã de inverno,
derrete a neve, dissipa as dúvidas.
O amor é o abraço que conforta e consola.
O amor é o amigo que nunca vai embora.
O amor é tudo em todo tempo.
O amor é o que faz a vida valer a pena.
E mesmo após a morte,
a memória que se recusa a abandonar no esquecimento
aquele que ama.

O amor é o mar no cair da tarde,
tão seguro e tão belo
que dá vontade de chorar.
O amor convence do erro
o mais tolo dos homens,
e amadurece a mais jovem criança.

O amor é o corrimão na íngreme escada,
perigosa e sinuosa, chamada vida.
Sem ele não poderíamos descê-la ou subi-la,
pois o medo nos impediria.
O amor é coragem travestida,
é nobre fuga ao mal.

O amor assovia nas ruas,
buscando quem possa conquistar.
Oh, ouça-o chamá-lo,
seu apelo suave como a brisa:
Pai, está consumado.

 

Gile
18 de novembro de 2011

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